Saúde

Falta de vitamina D na gravidez pode prejudicar saúde do bebê

Evelin Azevedo
| Tempo de leitura: 2 min

É certo que em tempos de isolamento social, ficar em casa é fundamental. Mas é preciso encontrar um jeito de tomar sol para evitar que a vitamina D "suma" do organismo. E o alerta deve ser redobrado para as futuras mamães. Os resultados de um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, apontaram que a crianças cuja mãe tinha deficiência de vitamina D durante a gravidez podem ter até 34% mais risco de apresentarem Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

A vitamina D é fundamental para a regulação do cálcio e do fósforo, principalmente para o processo de mineralização óssea e formação do esqueleto. "Estudos indicam que a vitamina D possui efeitos extra esqueléticos e que poderia estar envolvida com a ocorrência de diversas doenças. Em crianças, a falta da vitamina D leva ao atraso do crescimento e ao raquitismo. Em adultos, produz fraqueza muscular, perda de massa óssea, osteoporose e até fraturas", afirma Julienne Carvalho, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

O estudo incluiu 1.067 crianças nascidas entre 1998 e 1999 com diagnóstico de TDAH na Finlândia e o mesmo número de crianças sem a manifestação de TDAH, para formar o grupo de controle. Os dados dos bebês e suas mães foram comparados. Os pesquisadores, então, chegaram à conclusão de que a baixa quantidade de vitamina D durante a gravidez poderia aumentar o risco do transtorno.

"A maior fonte de vitamina D é a pele, em resposta à luz solar. Apenas pequenas quantidades desta vitamina são encontradas em alguns alimentos, o que faz com que a disponibilidade da vitamina D na dieta seja limitada. Portanto, pode-se evitar a deficiência desta vitamina por meio da exposição solar regular mas, quando ocorre a deficiência, a recuperação dos níveis normais é feita pela suplementação com vitamina D oral", orienta a ginecologista Nathalie Raibolt.

Para Clay Brites, pediatra e neuropediatra do Instituto NeuroSaber, as chances da deficiência de vitamina D provocar o TDAH são pequenas, com base no que já se sabe sobre a condição. "Ele é um transtorno predominantemente genético, com um índice de herdabilidade de mais de 80%. Não faz sentido falar que uma vitamina pode influenciar diretamente o desenvolvimento do transtorno. Por enquanto, existem poucas evidências de que isto pode reduzir o risco de TDAH. O que sabemos é que ele está ligado à idade mais avançada dos pais, à prematuridade e baixo peso ao nascer", finaliza.

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