Brasília - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou permissão para farmácias aplicarem teste rápidos para a Covid-19. O produto não é recomendado para o diagnóstico da doença, mas serve como ferramenta de auxílio e para verificar se pessoas já tiveram contato com o vírus. A decisão da agência passa a valer a partir de publicação da decisão no Diário Oficial da União, nos próximos dias.
Por enquanto, eles não estão disponíveis em Bauru. A reportagem do Jornal da Cidade fez contato com cinco estabelecimentos na cidade: todos ainda buscam informações sobre o assunto e não sabem informar quando os exames chegariam ao município, nem por qual valor seriam vendidos.
A farmácia não é obrigada a realizar o teste. A Anvisa exige que um profissional treinado esteja presente no local para prestar o serviço ao cidadão. O teste rápido detecta anticorpos da Covid-19 em poucos minutos. Por isso deve ser aplicado após o sétimo dia de sintomas, quando o corpo já reagiu ao vírus.
Antes deste período, a chance de "falso negativo" é alta. Segundo análise encomendada pelo Ministério da Saúde, o exame doado pela mineradora Vale ao governo federal erra 75% dos resultados negativos, se aplicado no tempo errado.
"Teste rápido para fazer diagnóstico é absolutamente contraindicado. É sim (recomendado) para, depois, procurar na população quem já tem anticorpo contra o vírus. Para fazer estudo, sim, é válido", disse Jarbas Barbosa, vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A resolução aprovada pelos diretores da agência determina que farmácias devem informar a gestores locais sobre os resultados dos exames. "Negativos não excluem infecção. Resultados positivos não devem ser usados como referência absoluta", disse o presidente substituto da Anvisa, Antonio Barra Torres. O ideal, afirmou, é que exames complementares sejam feitos para confirmar a doença.
O teste de "padrão ouro" é o RT-PCR, que detecta o material genético do vírus em amostras coletadas, por exemplo, por "swab", um instrumento semelhante a um cotonete usado em vias respiratórias dos pacientes, da nasofaringe e orofaringe. Apesar de preciso, este produto é mais caro e demorado.
Segundo integrantes do ministério, há forte pressão do Palácio do Planalto para ampliar o número de testes no País. A Saúde tem sinalizado que pretende aumentar o público-alvo para exames de diagnóstico rápido.
No começo da crise, o Ministério da Saúde recomendava apenas a aplicação de testes rápidos para quem atua na "linha de frente" do combate ao vírus, como profissionais da saúde. Em boletim epidemiológico publicado na última semana, no entanto, a pasta diz que deseja "progressivamente" incluir idosos, portadores de condições de risco para complicações da covid-19 e a população economicamente ativa na rotina de testagem. A ideia seria também aumentar a "carteira" de curados e imunes à doença que poderiam retornar ao trabalho.
Segundo o integrantes do governo, a cúpula do Ministério da Saúde chegou a resistir à proposta, mas passou a apoiá-la recentemente.