Geral

Educação a distância é alvo de críticas

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

As atividades do projeto de educação a distância do governo do Estado de São Paulo começaram nesta última segunda-feira (27), retomando o primeiro bimestre do ano letivo. Apesar dos poucos dias de uso, professores e pais de alunos da rede estadual já relatam contratempos para executar o aplicativo - chamado Centro de Mídias SP - e aproveitar, de maneira eficiente, as aulas disponíveis pela TV aberta. A Secretaria de Educação do Estado afirma que a plataforma passa por atualizações diariamente (leia mais abaixo).

Professor de geografia em duas escolas estaduais de Bauru - a Stela Machado e a Prof.ª Marta Aparecida Hjertquist Barbosa, conhecida como Caic -, Adaguimar Joelson Carvalho de Souza, 46, conta que os problemas com instabilidade da plataforma começaram ainda antes do retorno às aulas, em alguns dias de formação para os professores.

Na manhã desta quarta-feira (29), ele notou outros problemas durante uma videoaula. "Percebi que os alunos não estavam conseguindo enviar dúvidas pelo chat. Acho o sistema falho. Acredito que este modelo não se aplicará para o aprendizado, porque cada aluno tem sua particularidade e o professor não conseguirá acompanhá-los como em sala de aula", afirma. "Na prática, temos um caminho muito longo a percorrer até chegar onde o Estado quer", completa Adaguimar.

SEM ACESSO

Com três filhos matriculados entre os ensinos Fundamental e Médio da rede estadual de ensino, Elza Maria Leite, 38, tem apenas um celular em casa. "Como trabalho fora, eles não podem ficar com o aparelho para acompanhar as matérias", conta.

Além do aplicativo, as videoaulas são transmitidas pela TV Cultura Educação, em horários distintos para cada ano escolar, conteúdo que Elza afirma não estar ajudando. "Os mais novos me falam que não estão entendendo nada", diz. "A escola da minha filha do 5.º ano informou que a professora está se adaptando. Na escola do filho do 9.º ano, algumas atividades estão sendo realizadas por meio de outros grupos. Mas acredito que minha filha mais velha, que está no 2.º ano do Ensino Médio, é quem sairá mais prejudicada", afirma Elza.

'ESTÃO PERDIDOS'

De acordo com a diretora estadual da Apeoesp, Suzi da Silva, em poucos dias de uso, o novo formato de estudo gerou reclamações diversas. "Todos estão perdidos. Temos professores relatando problemas de saúde por não saberem como utilizar a plataforma e entregar as atividades dos alunos dentro do prazo. Além de muitos pais não terem a tecnologia necessária em casa, sejam smartphones ou até televisores", diz.

Suzi defende que o aluno precisa ter um contato com a escola. Porém, não acredita na eficácia desta estrutura de aprendizagem. "A Apeoesp está cobrando a participação em uma mesa de negociação com o governo para tratar da necessidade da paralisação e da retomada do atendimento ao aluno, em comum acordo com as entidades da educação e até representantes do Ministério Público", conclui.

Comentários

Comentários