Bastaram alguns pedaços de tecido, linhas e elásticos para tirar da cabeça de Dalva Serra Lopes, de 67 anos, uma ideia de solidariedade. A artista plástica conta que nunca costurou algo que não fosse artesanato, mas isso não a impediu de confeccionar máscaras para a proteção da família, dos amigos e do bairro Jardim Cruzeiro do Sul, em Bauru, onde mora.
Depois de presentear comerciantes ao redor, com o incentivo do esposo, da filha e do genro, Dalva resolveu produzir mais algumas para estender em um varal e doar, em frente à casa da família, na quadra 3 da rua Doutor Bernardino Tranchesi, no último sábado (9).
"Vi muitas pessoas vendendo, mas eu quis doar porque sei que tem quem precise e não tem como comprar. Muitos estão sem receber dinheiro nesta crise. É uma forma que encontrei de ajudar e de incentivar o uso da máscara", afirma Dalva.
A família toda embarcou na campanha e vem ajudando dona Dalva com as doações. O esposo Antônio Lopes, de 63 anos, escreveu um cartaz para fixar junto às máscaras. Com os dizeres de incentivo "use máscara" e "fique em casa", o texto também pede que as pessoas que não têm a peça peguem uma, gratuitamente, e que quem já têm deixe para os outros que virão. "Se cada um fizer sua parte, juntos, vamos conseguir sair mais rápido desta fase", salienta o aviso.
SUCESSO
O varal de máscaras fez sucesso desde que foi implementado. Para ajudar, a filha e o genro de dona Dalva disponibilizaram a frente de sua casa (vizinha à dela) para que pudessem cuidar das peças. "Nós temos câmera de segurança e duas árvores, onde fica mais fácil de estender o varal. Colocamos 32 máscaras no sábado (9) e, já no primeiro dia, foram repostas algumas. No domingo (10), todas acabaram. Hoje (ontem), já estão sendo confeccionadas mais", conta Edson Iukawa, de 46 anos, genro de dona Dalva.
Felizes com a receptividade da iniciativa, a artista plástica continuou a produzir as máscaras para repor o varal até quando lhe for possível. "No domingo, uma moça e a filha tocaram nossa campainha perguntando se poderiam mesmo pegar uma máscara. A criança ficou tão feliz em escolher a cor e o modelo da peça, que foi de encher o coração de alegria", diz Edson. "É muito gratificante. Já tinha doado artesanatos que fiz de presente, mas nada como o prazer de doar algo importante assim", finaliza dona Dalva.