Com a chegada da quarentena, as opções de reuniões entre amigos passou a ser virtual, os momentos em família ou com o(a) parceiro(a) ficaram mais comuns e aproveitar da própria companhia para degustar um bom vinho, também. Com a chegada do tempo mais frio, o período se tornou ainda mais propício para quem aprecia curtir bons momentos ao lado de um bom vinho.
Mas inserir-se no universo da enologia nem sempre é algo simples. Aliás, é bem comum que alguns erros sejam cometidos por falta de conhecimento e informação sobre o assunto. O sommelier Bruno Acialdi, bauruense radicado em São Paulo e atual maitre no Hotel da Fiesp, diz que é perfeitamente possível começar sua descoberta sem deslizes ou complicações. "É preciso um pouco de dedicação para entender sobre vinhos, mas o necessário mesmo é gostar", indica o sommelier.
Para que você possa apreciar essa bebida de maneira correta e com mais prazer, Acialdi destaca que a temperatura influencia bastante na percepção e é um dos erros mais comuns dos iniciantes. "A maioria serve os vinhos em temperatura errada. Por conta de o Brasil ser mais quente, as pessoas tendem a gelar demais o vinho. Cientistas dizem que as papilas gustativas não sentem nenhum sabor abaixo de 4 graus. Então, dificilmente você consegue identificar os sabores e aromas, especialmente do vinho tinto", diz.
O sommelier explica que, em relação aos tintos, a temperatura influencia ainda mais, por conta do tanino, um composto químico presente no vinho que pode interferir no sabor e na longevidade da bebida. "É um erro muito clássico. Os vinhos mais encorpados, com mais tanino, não são para gelar muito, mas para tomar entre 16 e 18 graus. Já os tintos mais leves, podem ser um pouco mais gelados, de 12 até 14 graus", salienta Acialdi.
Ele ainda destaca que os demais vinhos, sobretudo, brancos, de sobremesa e espumantes, são mais frescos e podem ser gelados, mas, ainda assim, não é adequado servir abaixo dos 4 graus. "Vinhos brancos amadeirados geralmente são fermentados em barricas, e também não podem ser muito gelados, no máximo 8 graus", destaca
HARMONIZAÇÃO
Outra dúvida bastante comum entre os iniciantes é a respeito da arte de harmonizar vinhos, o que, de fato, é uma das tarefas mais difíceis de dominar. Bruno Acialdi explica que apesar das diversas variáveis, algumas dicas podem auxiliar os apaixonados por vinho a não derraparem no quesito.
"As pessoas têm costume de tomar vinho com peixes. Mas a maioria dos peixes dá um gosto metálico ao vinho. Você acaba perdendo o investimento feito tanto no prato, quanto na bebida. Uma boa harmonização é com os rosés, em geral. Outro equívoco comum é que, em festas de queijos e vinhos, há o costume de se servir o lambrusco doce ou o tinto. Mas a maioria dos queijos harmoniza com vinho branco, isso também vale para fondues", ensina.