Os cientistas planejam refazer exames pelo menos uma vez por mês. No primeiro teste foram escolhidos os distritos com maior registro de contaminação (Morumbi, Bela Vista e Jardim Paulista) e os três com maior número de óbitos (Pari, Belém e Água Rasa), segundo a prefeitura.
Equipes formadas por técnicos do Fleury e pesquisadores do Ibope foram de casa em casa para coletar amostras de sangue dos moradores escolhidos por critérios estatísticos, inclusive os que não apresentaram sintoma.
O próximo levantamento, marcado para começar no dia 10 de junho, vai incluir toda a cidade. "São Paulo é o epicentro da pandemia no Brasil. Nós queríamos o epicentro do epicentro. Agora vamos fazer em toda a cidade", disse o biólogo Fernando Reinach, responsável por aglutinar os diversos agentes envolvidos no levantamento. A partir dos números coletados na próxima pesquisa será possível calcular a velocidade com que a doença está se espalhando na cidade.
A pesquisa ajuda a dimensionar o alto índice de subnotificação. Segundo o levantamento, 91,6% dos casos estão fora dos números oficiais. O motivo é a falta de testes. Com poucos recursos, apenas casos mais graves, de pessoas que chegam a ir aos hospitais, são testados e contabilizados. Os pacientes assintomáticos ou com sintomas leves dificilmente chegam a ser testados.
Estima-se que, entre os infectados, 80% desenvolvam sinais leves da doença como cansaço, febre ou dor de garganta. Já a nova pesquisa fez exames sorológicos com precisão de até 99,5% em pessoas escolhidas de acordo com critérios estatísticos, desconsiderando se os examinados desenvolveram ou não sintomas.
Outro número revelador é a taxa de letalidade de 0,95% do vírus, bem inferior à média nacional de 6,9% do Ministério da Saúde. O motivo da diferença, mais uma vez, são pessoas assintomáticas ou com sintomas leves. "O índice de letalidade logicamente é mais alto entre as pessoas que tiveram sintomas graves, foram ao hospital ou morreram", disse o biólogo.
Em artigo publicado nesta sexta-feira, a revista científica The Lancet destaca a importância dos testes sorológicos para detectar indivíduos que desenvolveram anticorpos na formulação de políticas pós-pandemia.