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Rotina de coragem na pandemia

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

A criminalidade vem caindo proporcionalmente aos esforços diários dos profissionais que trabalham nas polícias Militar e Civil, que não medem esforços de contribuir com a segurança pública diante da maior pandemia do século. O trabalho não para, apesar de estarem diante de um novo perigo solto às ruas, um risco invisível, muitas vezes letal e que não escolhe cor, credo ou classe social: o coronavírus.

Segundo o tenente-coronel Fabiano Serpa, comandante do 4.º BPM-I, em Bauru, que é bauruense e tem quase 30 anos de polícia, osPMs realizam um ato de coragem e de amorà causa pública, porque a categoria, assim como o setor da Saúde, não tem a opção de parar e ficar em casa.

JC - Como são os cuidados com a saúde?

Serpa - Seguimos rígidos critérios com a nossa higienização, dentro e fora das viaturas, e todos nós utilizamos as máscaras da PM nas bases, nos batalhões, no Copome no trabalho de ronda ostensiva.

JC - Qual o impacto da Covid na PM?

Fabiano Serpa - Houve queda brusca da criminalidade.É motivo de comemorar. Devidoà diminuição de pessoas circulando nas ruas e do trabalho da polícia. Com o isolamento, conseguimos direcionar PMs de outros setores e colocá-los para a ronda ostensiva. Mas o trabalho segue no sentido dos números continuarem caindo.

JC - Tem mais PMs nas ruas?

Serpa - A percepção do bauruense de que tem mais viaturas nas ruas, de fato é verdade. E reflexo disso temos reduções expressivas de furto de veículo, com mais de 33% no bimestre. Diminuiu também em mais de 45% o crime de roubo. Existia uma média de três roubos por dia em Bauru. E agora tem dias em que não há nenhum registro deste crime na cidade.

JC - Como tem sido o planejamento?

Serpa - Tínhamos programado novas ações doPlano de Policiamento Inteligente (PPI). O trabalho não foi totalmente adiado, porque tem sido adaptado neste período da quarentena. E todo oserviçoda polícia tem um acompanhamento estatístico diário. Temos metodologiascientíficas que nos mostram as subáreas onde existem mais ocorrências. E ocrime não acontece de forma equilibrada, nos bairros.

JC - Quais as prioridades?

Serpa - Nós distribuímos as viaturas de ronda de forma estratégica, com prioridade de patrulhamento e critérios técnicos. Temos reuniões frequentes para discutir o planejamento e o mapeamento das subáreas de atuação. Assim montamos a forma de agir, sempre com os cuidados de saúde.E dentro disso, omais importante para nós e para a sociedade é diminuir o crime. E estamos conseguindo cumprir a nossa meta.

REAÇÃO RÁPIDA

O delegado assistente seccional Luiz Puccinelli, bauruense, com quase 12 anos de Polícia Civil, esclarece que a situação de pandemia exigiu uma reação rápida dos policiais e delegados, que têm contribuído com o isolamento, com orientação a população de que muitas queixas de crimes e ocorrência podem ser registradas pela Internet.

JC - Como é o trabalho da Civil da pandemia?

Luiz Puccinelli - Aumentou o número de tipificações de ocorrências que podem ser feitas pela delegacia eletrônica. E isso diminuiu aglomerações no Plantão. Fora isso, todos nós da Polícia Civil seguimos orientações e procedimentos de saúde. A Seccional imediatamente comprou todos os equipamentos de segurança logo no início da quarentena.

JC - Tem um novo protocolo com as detenções e prisões?

Puccinelli - Redobramos os cuidados com o contato de presos e na transferência. E temos um novo protocolo de saúde, quando o preso é trazido até o plantão. São feitos diversos questionamentos sobre a saúde, para evitar que uma pessoa com suspeita do vírus seja colocada em uma cela próxima de outros detentos. Caso tenha sintomas, encaminhamos para atendimento médico (com escolta).

JC - Caiu a criminalidade?

Puccinelli - Sim. Houve queda significativa no número de registros de crimes. E a população, em grande parte, aderiu ao registro eletrônico e o público presencial tem sido menor. Crimes de violência doméstica, em Bauru e nas mais 18 cidades da região da Seccional, não aumentaram durante a quarentena. Pelo contrário, eles caíram consideravelmente, assim como os roubos.

JC - Como tem sido os cuidados na rua?

Puccinelli - Todos os policiais utilizam máscaras e critérios de prevenção sanitária no plantão policial e nos locais de crime, nos mandados de busca e apreensão. A Seccional providenciou equipamentos para todas as delegacias. O nosso serviço diário não parou. Seguimos cumprindo o trabalho de investigação normalmente.

JC - Houve afastamentos?

Puccinelli - Tivemos sim os afastamentos preventivos, de policiais no grupo de risco, com problemas respiratórios e mulheres grávidas, por exemplo. Foram 15 profissionais no total. Mas todos estão na ativa, no teletrabalho.

JC - Como funciona o teletrabalho?

Puccinelli - Eles têm acesso ao sistema e a todas as ferramentas da delegacia, de casa. Fazem a produção de pesquisa e acompanhamento de investigação remotamente. E no atendimento presencial temos uma proteção no Plantão Policial que serve como escudo, protegendo policiais e os cidadãos que precisam ir até a delegacia (no Centro). Essa estrutura está tanto no atendimento ao público e no setor de flagrantes.

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