A dengue é uma doença transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti de forma endêmica no Brasil e que passa por surtos com maior ou menor incidência, dependendo da maneira como foi combatida. A limpeza de quintais e não acúmulo de água limpa que evitem a proliferação do mosquito são formas importantes de combate.
Quando surgiram os estudos mais aprofundados da dengue, medicamentos passaram a ser usados para aliviar seus sintomas. Foram realizados outros estudos para mostrar que alguns eram eficientes e outros, perigosos. Assim, é matéria pacífica que anti-térmico que contenha ácido acetilsalicílico (AAS) não pode ser usado, nem anti-inflamatórios que contenham diclofenaco sódico (como Voltaren), que devem ser substituídos por outros medicamentos, sempre com orientação médica.
No caso da dengue, a voz da ciência e da medicina falou mais alto e não se veem contestações jurídicas e ideológicas - na verdade, idiotas - para defender que AAS seja usado. Mas as pessoas parecem não pensar nisso quando a cloroquina e seu derivado hidroxicloroquina passam a ser apresentados como panaceia para o tratamento ou prevenção da Covid-19, doença causada pelo coronavírus. Esses medicamentos não possuem eficiência e, o que é mais grave, apresentam riscos comprovados de efeitos colaterais, como já foi evidenciado especialmente quanto a problemas cardíacos.
A cloroquina faz relembrar a mesma falácia da fosfoetanolamina, com o agravante de ter vários e múltiplos efeitos colaterais que não a indicam para uso sem um criterioso acompanhamento médico. Ambas as substâncias foram comprovadas não possuir efeitos contra as doenças que se propunha combater: a primeira contra o câncer, a outra contra a Covid-19. Judicializar, politizar e ideologizar o uso desses compostos nada mais é que uma forma de esconder a incompetência e a ignorância.
Contra o coronavírus a única comprovação científica que possuímos é que o isolamento social diminui o contágio entre as pessoas, possibilitando um melhor planejamento de utilização dos recursos hospitalares para os casos graves.
Além disso, o imune ao coronavírus pode ainda contaminar outras pessoas, caindo por terra a possibilidade de um "passaporte para a felicidade". A esperada imunização do rebanho não está sendo evidenciada em países com a doença em estágio mais avançado, como a Espanha.
Ou seja, cloroquina é veneno e quem a indica para tratamento da Covid-19 é um criminoso, seja médico ou louco.