Tribuna do Leitor

"Fazer o bem sem olhar a quem"

Professor Gilberto Sidney Vieira
| Tempo de leitura: 2 min

O grande arquiteto do universo sói nos agraciar, de tempos em tempos, com figuras humanas ímpares, como que para nos mostrar em que trilhos devemos percorrer em nossa efêmera passagem por este planeta azul. Assim é que temos, dentre tantos iluminados a serem seguidos como modelos de exemplar vida humana: Jesus Cristo, Buda, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Chico Xavier, Papa João Paulo II etc. Seres humanos cuja tônica foi primacialmente praticar o mandamento cristão: "...amai-vos uns aos outros...".

Bauru teve um enviado de Deus à terra, com a missão precípua de "...fazer o bem e não olhar a quem..." Ele esteve entre nós, atuante. Envolto numa capa de simplicidade. Viveu mais de 90 anos de vida, sempre espargindo o bem por onde passou. Não se amargurou, nem maldisse os anos a mais que o Criador adrede lhe acrescentou. Sua missão terrena sempre foi profícua. Tive a honra e o privilégio de trabalhar com essa excelsa figura humana. Eu, como chefe de seção administrativa na então Divisão Regional de Saúde de Bauru.

Ele, como meu superior hierárquico imediato, ocupando o cargo de diretor administrativo. Protótipo do autêntico chefe democrático, suas atitudes profissionais eram sempre norteadas por um elevado espírito de mansidão e simplicidade. Nunca foi picado pelos insetos da arrogância, do cabotinismo e do despotismo. Coisas que muitos ocupantes de cargos de comando administrativo sentem irrefreável e incomensurável prazer em destilar em cima de seus comandados.

Como diretor administrativo ele ocupava, "ex-officio", o epicentro de um terremoto de paixões e vaidades humanas. Onde se digladiavam interesses essencialmente egoístas. Mas ele sempre tinha a palavra certa para a hora certa. Amainando os ânimos por vezes inflamados. Somando sempre, dividindo nunca. Atuando como catalisador de conflitos humanos. Contra posto à verbosidade vazia dos tartufos. Assumindo magistralmente atos salomônicos e discretos, próprios dos grandes homens. Atendia pacientemente a todos subalternos e superiores hierárquicos. Não importando a cor da pele, o "status" financeiro, a cor do partido político, a religião ou ateísmo professados.

Podemos, portanto, asseverar categoricamente: ele literalmente viveu o altruísmo pregado no cristianismo. Fazer o bem sem olhar a quem. Paulo Guimarães, um exemplo de vida a ser seguido por todos nós, seres humanos.

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