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Sociedade exposta

Roberto Pallu
| Tempo de leitura: 3 min

O cenário atual nos impõe uma reflexão importante sobre a sociedade. Antes de mais nada, importante deixar claro que não sou sociólogo, mas como profissional de comunicação, tenho observado como a pandemia revelou-se soberana em relação ao comportamento humano e fez com que muitas pessoas surgissem do nada, revelando suas verdadeiras aspirações e pontos de vista sobre tudo: política, medicina, desenvolvimento econômico e social etc.

Nunca se opinou tanto e sobre tantos assuntos. As pessoas começaram a se desnudar ideologicamente, socialmente e politicamente. Os extremos foram escancarados e a sociedade colocou a "b... na janela". Recentemente, em um grupo de WhatsApp, vi uma postagem que dizia, mais ou menos, assim: o número de moradores de rua aumentou muito em nossa cidade! Como procuro ser proativo, respondi que o número continuava o mesmo e que a diferença (aumento visível) se dava pela razão de muitos, que eram os "invisíveis", terem de sair às ruas em busca da sobrevivência.

Depois disso, comecei a observar com um pouco mais de atenção o movimento do mundo sob o ponto de vista da sociologia e antropologia. Busquei referências para embasar esse ponto de vista e me deparei com a dicotomia social instalada e revelada. A solidariedade aumentou? Não! As pessoas solidárias saíram às ruas e se apresentaram mais, se expressaram mais e estão atuando mais. O negacionismo em relação à ciência aumentou? Também não, mas os negacionistas vieram à público expressar as opiniões. Assim, segue-se uma lista enorme pessoas que deixaram o lado invisível da sociedade para se posicionar sobre os temas que estão em pauta nos dias hoje. A humanidade viveu outros períodos conturbados de saúde pública em níveis globais ou regionais: gripe espanhola, no início do século passado; peste bubônica, na metade do século passado, meningite, sarampo, dengue, febre amarela, varíola, aids entres outras. Com o pseudo domínio dos avanços tecnológicos, o Coronavírus caiu como uma bomba que assombrou a sociedade.

- Como assim? Não ter remédio pronto? Como demorar para descobrir a cura? A sociedade é tão autossuficiente e como não se preparou antes? E, a partir daí, começam algumas intempestividades: esse vírus é uma arma química que foi criado em laboratório para dizimar inimigos... é um vírus enviado pelos Iluminati para por ordem no caos em que a humanidade se transformou... é um vírus mutante, resistente e capaz de se adaptar ao meio em que está inserido (ou seja, quase humano)... é de outro mundo... castigo divino para punir os descrentes, e por aí adiante.

Mas, o fato é que os conhecimentos humanos e científicos estão debruçados para minimizar os efeitos do novo coronavírus. A tecnologia, internet principalmente, transformou-se em vitrine aberta para as mais diversas manifestações de opiniões, sejam elas científicas, políticas, econômicas e/ou sociais. Diante do medo, a sociedade mostrou sua cara. Essa nova realidade, que se revelou tão ou mais preocupante que a própria Covid-19, também precisa de cura.

Se não for encontrado um medicamento capaz de curar, que encontremos o ponto de equilíbrio para essa grande crise de saúde social que assola o mundo, pois o remédio chamado "consenso" nunca terá dosagem eficiente num cenário social tão exposto e radicalizado.

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