Nestes tempos de vida antissocial, visualizamos uma tarde caindo desolada, como uma criança aprendendo a andar. Densas nuvens de pessimismo cobrem as praças, as ruas e as cidades desertas. Um silêncio ensurdecedor e um vazio entristecedor se apoderaram de nossas vidas. Lendo o jornal ou assistindo o noticiário, inevitavelmente sentimos uma tempestade de incertezas nos tornando fracos, mostrando que não somos autossuficientes.
Parece difícil ser feliz quando pensamos sobre tudo que está acontecendo. Neste momento, solitários e isolados de tudo e de todos, só nos resta refletir sobre as lembranças que teremos num futuro não muito distante dessa situação esdrúxula que estamos vivendo. Mas, com certeza, sozinhos vamos ficar indefesos, sem coragem para enfrentar as intempéries da vida.
Se ficarmos paralisados diante deste inferno astral, sentados no sofá da sala, lendo o jornal ou assistindo ao noticiário, o desanimo vai nos atacar, como faria o misterioso monstro do Lago Ness, localizado na Escócia. Precisamos buscar, mesmo que distante, por soluções que possam amenizar esses tempos de trevas. Acreditando que tudo vai acabar bem, apesar do horizonte não se apresentar promissor.
A qualquer momento, seremos assolados por uma pandemia, guerra, terremoto, inundação, ou sabe se lá o que. O espelho vai refletir lembranças que poderão ser real, imaginárias, boas ou péssimas. Vai depender muito da forma como estamos enfrentando e convivendo com as adversidades, que a vida nos presenteia.
Os sentimentos negativos, trazido por essa situação cabulosa, nos fazem viver tenebrosos e a andar de máscaras faciais nas ruas, como os personagens retratados nos mangás, das histórias em quadrinho de origem japonesa. O fato é que temos sempre a tendência de acharmos que nada está tão ruim que não possa piorar.
Podemos viver um misto de nostalgia e recordações em várias situações. Como ouvindo uma música do passado que nos reporta a juventude; como exalando o perfume de uma flor, de uma praça florida, que foi palco de um grande amor; como relembrando momentos ou acontecimentos que se tornaram inesquecíveis.
O problema é que, em meio a tantas notícias tristes, ruins e desoladoras, podemos ser afetados de forma direta, mais do que gostaríamos de fossemos, gerando um pessimismo descontrolado. A negatividade age como um vírus em nosso subconsciente, trazendo a depressão, a ansiedade e o estresse. O grande vazio que sentimos é pelo fato de não podermos mais rever algo ou alguém.
O que nos resta então é acreditar na mensagem da música "Dias Melhores", interpretada pelo Jota Quest - Vivemos esperando. Dias melhores. Dias de paz, dias a mais. Dias que não deixaremos para trás. Vivemos esperando. O dia em que seremos melhores. Melhores no amor, melhores na dor. Melhores em tudo...