O mar um dia me disse
Que a lágrima desse povo
escorreria
Eu não acreditei no que ele dizia
O coração forte de um pajé
Levando a alma de sua fé
Jamais afrouxaria
O mar um dia me disse
Que nossa flora seria despida
Eu não acreditei no que ele dizia
Quem iria querer ver nossa
flora nua?
Ou a fauna crua?
Sem vida?
O mar um dia me disse
Que essa terra eles iriam
descobrir
"Pois cubra-a de volta" pus a me
intervir
Colocando um véu
Chamado céu
Cobrindo o mal que há de vir
"Nossa língua será cortada"
O mar gritou
"Bobagem de quem lhe contou"
Bati meus pés, confiante
Na água redundante
A areia andava quieta nessa
terra falante
Hoje o mar nada me disse
Ele queria que eu visse
Com meus olhos o que ele
acompanhou
Por tanto tempo
O navio remava lento
E os índios saiam da esverdeada
marquise (marquise de árvores)
"O sangue desse povo escorre
em mim"
A areia me disse