Os programadores de televisão sabem: a esteira de reality show (aqueles programas baseados na vida real que explora a curiosidade do público de conhecer a vida dos outros) dá um bom Ibope. E olha que tem repertório para tudo: do puro confinamento até a disputas musicais e mostra de dotes gastronômicos, com competições suadas e reais, bem reais, com os competidores passando muito nervoso.
A vitória do ex-jogador do Noroeste Richarlyson, nesta semana, no programa "Made In Japão", na Record TV, com prêmio básico de R$ 500 mil, permite a constatação: os bauruenses são bons desse tipo de disputas televisivas. Onde entram, vão logo para as cabeças. Esta noite mesmo, mais um, o chef Moacir Santana, pode continuar na luta por um prêmio de R$ 250 mil no "Mestre do Sabor", da Globo (leia mais adiante).
CONTRATO VENCIDO
Antes de Richarlyson, há cerca de seis meses, a cantora lírica Débora Neves se destacou. Mas por causa da pandemia, o resultado de um prêmio que ganhou por ficar em segundo lugar no programa "Canta Comigo", da Record, acabou não rendendo tantos frutos como esperava. Os seis meses de contrato com a emissora já venceram. A falta de novas produções (todo mundo sabe que as empresas estão apostando em reprises ou realities pré-gravados) não se traduziu em convites para apresentações e nem mesmo em inscrição em novas disputas.
"Antes da quarentena, eu estava com projetos de shows, gravação em estúdios, eventos de casamento. Estava dando aulas de canto e piano, consegui passar no curso de Formação do Conservatório da Emesp Tom Jobim, tudo isso em São Paulo", conta Débora, que está desde o dia 21 de março com a família em Bauru e a vida suspensa. Tudo estaria 100% parado não fosse o fato de que continua estudando bastante.
"Nesta quarentena, continuo estudando bastante, já que o Conservatório Emesp Tom Jobim adquiriu o ensino EaD (Ensino a distância) e estamos com vários trabalhos de criação e composição musical", relata Débora Neves. Mas não pensem que ela está insatisfeita com o que viveu nestes últimos seis meses. "A vida está parecendo uma montanha russa (risos) várias experiências novas, pensamentos novos, opiniões também. Me aprimorando cada vez mais". Sobre participação em realities diz que "é um momento único, uma oportunidade que poucos têm". "E confie em você, você entrou ali por algum motivo, então mostre do que é capaz."
'ATITUDE ROCK'
E ainda que não tenha ficado entre os primeiros, no campo musical vale lembrar do sucesso da Banda Move Over, no programa SuperStar, da Rede Globo, em junho de 2014. A banda ficou conhecida em todo o país projetando a vocalista Adriane Santana e sua "atitude rock" foi mais uma vez elogiada.
GANHOU PORQUE PERDEU
Outra mulher de sucesso é Andreia Dutra. Foi vencedora da versão americana do "The Biggest Loser", um reality de perda de peso, licenciado no Brasil pelo SBT com o nome de "O Grande Perdedor".
Como sempre esteve acima do peso, brincava com os amigos que se inscreveria para um reality de gordinhos. Ganhou a primeira edição, após perder 30 quilos em 90 dias de confinamento. Tudo bem que hoje, passados 15 anos, ela já recuperou todos os quilos que perdeu naquela época e ganhou mais alguns extras. Mas pensa que ela se arrepende de ter participado? Nada disso. Para ela, a experiência de ficar 90 dias em uma casa com outras 13 pessoas que nunca tinha visto na vida foi fantástica.
Mas não dá para comparar com o atual momento de confinamento de vida (ela trabalha em agência de turismo, setor dos mais afetados com a pandemia). "Este momento é bem diferente. Para começar, você está no conforto do seu lar, mesmo sozinha a pessoa tem acesso à mídia, internet, celular, é mais fácil se adaptar". Mas ela reconhece que há muitas pessoas em pânico "por excesso de informação dúbia, que gera insegurança". "Você quer preservar sua saúde, sua vida, mas não quer perder o emprego", exemplifica."Na pandemia é a vida, o emprego. É a pior experiência vivida."