Articulistas

A prevenção e a cura

Helder Fernandes Aguiar
| Tempo de leitura: 2 min

Estamos convivendo com o coronavírus no Brasil há cerca de 4 meses e sabendo da sua morbidade e mortalidade há 7 meses, mas não há consenso em relação ao tratamento da sua doença, a Covid-19. Todos os dias temos artigos pró e contra o uso da Cloroquina e da Hidroxicloroquina, mais contra que pró, que vêm de leigos e também de pesquisadores, publicados em revistas conceituadas científicas, além da OMS, que contraindica e indica à medica que as informações chegam.

Isso mostra que o consenso está muito longe de acontecer! Há pouco tempo, uma manchete de um site de notícias dizia que o Hospital Albert Einstein proibiu o uso da Cloroquina. Em primeiro lugar, a prescrição é do médico, que assume totalmente as consequências do seu ato e, ao ler a matéria, vi que o Hospital recomendava o não uso, o que é muito diferente de proibir.

Agora o foco está na Invermectina, que já está em falta nas farmácias, testada in vitro, mas ainda carente de confirmação de eficiência! A automedicação corre solta: Invermectina; Cloroquina, Anitta, Azitromicina (até então, o único da lista com necessidade de receituário para compra) e essa histeria por tratamento, que é até compreensível, se torna a cada dia mais perigosa.

A União Europeia acaba de autorizar, para casos graves, um medicamento que custa 15 mil reais a dose! Quem vai poder comprar? Novas batalhas jurídicas contra os convênios e o Estado, por medicação de alto custo, serão inevitáveis. As vacinas, em torno de 15, estão sendo testadas, mas apenas uma está na terceira e última fase, que levará alguns meses até a sua aprovação e disponibilidade do mercado.

Então, o que fazer?

O que se fala desde o início: se cuidar!

Só saia de caso quando for necessário, lave as mãos, evite aglomerações, mantenha distância segura e tudo isso pode ser feito com consciência, sem parar o País.

Desde o início, a solução está na consciência dos cidadãos, como em toda doença infectocontagiosa, como a dengue, da qual tivemos milhares de caso em Bauru no ano passado, por total descaso, com várias mortes. O excesso de informação está prejudicando a nossa saúde mental e física, por mais paradoxal que possa ser.

 O autor é médico otorrinolaringologista 

Comentários

Comentários