Washington - O veto à presença de estudantes estrangeiros sem acesso a aulas presenciais nos Estados Unidos mostra o tamanho da apreensão do presidente Donald Trump ante sua situação eleitoral.
O objetivo do americano é duplo. Por um lado, busca agradar seu eleitorado mais fiel, sempre atento a promessas não cumpridas de retirar elementos estrangeiros do país, além de cutucar a rival China. Por outro, pressionar universidades do país a reabrirem seus campi.
Uma parcela expressiva da receita das faculdades do país vem de alunos do exterior, que geralmente não têm bolsas de estudo e pagam integralmente suas mensalidades. Os estudantes estrangeiros movimentam estimados US$ 45 bilhões.
Mas o que interessa a Trump é ver o máximo de reabertura da economia e da vida civil no país mais atingido pelo novo coronavírus no mundo. O motivo é a dura eleição que ele enfrenta contra o democrata Joe Biden em novembro.
Segundo as pesquisas disponíveis, o presidente está atrás na corrida.
Não é um resultado definitivo, mas a ação de Trump demonstra o tamanho da preocupação.
Mirar estudantes estrangeiros, além de coadunar com o discurso anti-imigração que marca Trump desde sua campanha de 2016, também visa atingir a rival China.
A maioria esmagadora dos cerca de 400 mil estudantes que recebem visto todos os anos para o país vem da ditadura comunista asiática. Como vive uma disputa particular com Pequim, apelidada de Guerra Fria 2.0, Trump saca mais um instrumento para pressionar o governo de Xi Jinping.