A pandemia já fez Bauru perder quase duas mil vagas de trabalho. O município vinha em crescimento da geração de emprego até março, mas sofreu com uma queda acentuada entre abril e maio, perdendo quatro mil vagas em apenas dois meses. Em junho, os números melhoraram, com novo saldo positivo. Com isso o primeiro semestre fechou com o saldo de 1.941 vagas formais a menos no mercado de trabalho.
Esse é o principal indicador que mostra os impactos da pandemia na economia de Bauru. E a retomada dependerá de vários fatores, incluindo os incentivos do governo.
Presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), o economista Reinaldo Cafeo afirma que pode haver um crescimento no restante do ano, ainda que em um patamar menor do que o ideal. "Temos algumas datas como Dia dos Pais, Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal, em que é possível recuperar uma parte da venda dos comércios. Agora, uma recuperação consistente e sustentada depende de mais fatores, e que precisarão vir do governo federal, como a reforma tributária e administrativa, que completarão o iniciado com a reforma da Previdência. Apenas com essas reformas o investimento privado conseguirá voltar", destaca.
AÇÕES
Apesar das reformas estruturais dependerem da União, Cafeo entende que o município pode criar ferramentas para estimular a economia. "Algumas ações estruturais podem partir da prefeitura. Entre elas, concluir a obra da ETE, encarar o problema da Cohab, realizar uma modernização da máquina pública local e dar condições para que o nosso aeroporto decole de vez", avisa. A revitalização do Centro é um dos pontos principais destacados pelo comércio, lembra o presidente da Acib.
Os setores de comércio e serviços correspondem a quase 70% dos empregos de Bauru. No ano passado, de 124 mil empregos formais do município, 86 mil foram nesses segmentos - 28 mil no comércio e 58 mil em serviços. A indústria veio em seguida, com pouco mais de 15 mil vagas preenchidas, e a construção civil tinha 14 mil empregados. O restante está divido em administração pública, extração mineral e agropecuária, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do governo federal.
Nos últimos anos, também foi registrado crescimento de Microempreendedores Individuais (MEIs). Atualmente, são mais de 31 mil MEIs em Bauru, especialmente em áreas como alimentação e beleza. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico vem incentivando a formalização desses profissionais.