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CoronaVida bate a marca de 100 mil máscaras e muda vida de voluntários

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Em 20 de março de 2020, um vídeo simples convocando costureiras para confeccionar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) contra o novo coronavírus e doar os produtos às instituições mais necessitadas ganhou a adesão de 500 pessoas em apenas 24 horas. Tamanha solidariedade fez com que o CoronaVida, em Bauru, tomasse corpo e batesse a marca de 100 mil máscaras produzidas. Além de ajudar o próximo, os voluntários da campanha também tiveram a sua vida alterada.

Segundo o idealizador da iniciativa, o promotor de Justiça da Saúde Pública local, Enilson Komono, ninguém imaginava que o grupo chegaria a 100 mil máscaras e 35 mil aventais elaborados. "A ideia é continuar enquanto a pandemia persistir", adianta.

No último dia 31, quando o projeto atingiu a marca em questão, alguns voluntários organizaram uma comemoração simbólica e entregaram um presente para as quatro costureiras que mais confeccionaram máscaras. Juntas, elas fizeram 5 mil itens do tipo desde o começo da campanha.

A Associação Beneficente Cristã, conhecida como Paiva, também recebeu uma homenagem: a máscara de número 100 mil e um mimo. O projeto já entregou EPIs em quatro oportunidades naquele local.

O promotor destaca, ainda, a abrangência do CoronaVida, que distribui máscaras e aventais para hospitais, santas casas, Samu, UPAs, UBS, abrigos, casas de repouso, entidades assistenciais, Corpo de Bombeiros e cooperativas de reciclagem. 

A iniciativa não ocorre somente em Bauru, mas em outras 14 cidades da região: Agudos, Piratininga, Arealva, Iacanga, Reginópolis, Pirajuí, Presidente Alves, Lençóis Paulista, Macatuba, Pederneiras, Bariri, Dois Córregos, Lins e Promissão.

O grupo adquire a matéria-prima graças às doações. Já a mão de obra é voluntária. Nesse quesito, o projeto conta com costureiras, motoristas e responsáveis pela destinação final às instituições. "Com certeza, atribuo o sucesso à credibilidade das pessoas que estão por trás da iniciativa, à alta demanda por EPIs e à solidariedade da nossa comunidade", comenta.

De acordo com Komono, a maioria das costureiras é formada por idosas, que seguem o isolamento social à risca. "O trabalho voluntário também funciona como uma terapia. Certa vez, uma costureira enviou uma mensagem dizendo que atrasaria para entregar. Depois, descobrimos que era por causa da quimioterapia. A atividade, inclusive, amenizava os efeitos do seu tratamento", revela.

APROXIMAÇÃO

A psicóloga Gina Yzumi Mitsunaga Kijima, de 54 anos, integra o grupo das quatro costureiras que, juntas, confeccionaram 5 mil máscaras desde o início da campanha. Ela vive com a mãe, a aposentada Helena Haruko Mitsunaga, de 84, que também compõe a equipe. As duas se aproximaram ainda mais depois que resolveram aderir ao projeto.

Porém, Gina destaca outro benefício. "O que mais nos tocou foi o fato de passarmos a acreditar na importância da nossa força, afinal, todo mundo tem algo para doar", argumenta.

Outro ponto positivo diz respeito à retomada da autoestima da sua mãe. "Por compor o grupo de risco da doença, ela está isolada e o projeto faz com que se sinta útil", justifica.

As duas contam com a ajuda das vizinhas Satiko Nomoto, de 74, e Emília Mayumi Otake, de 61. Os lanços entre elas também se intensificaram no decorrer da campanha.

OLHAR AO PRÓXIMO

Uma das voluntárias responsáveis pela logística do projeto, a oficial de Promotoria Cintia Alexandre Hayakawa informa que decidiu aderir à iniciativa desde o começo, porque percebeu a necessidade de olhar para o próximo. "Eu fazia parte de outras ações sociais do doutor Komono. Como a pandemia causou muito medo nas pessoas e havia falta de EPIs, quis ajudar de alguma forma", observa.

Ainda segundo Cintia, o CoronaVida a preencheu. Ao lado de outras voluntárias, ela cuida da distribuição dos donativos. "Eu me sinto mais feliz ao conhecer realidades diferentes daquela com a qual estou acostumada", constata.

Já a funcionária pública federal e irmã de Enilson Komono, Emery Komono, diz que a iniciativa ocupa o tempo e a cabeça no decorrer da quarentena. "Além disso, dá uma pitada de esperança em um momento tão incerto", complementa.

A voluntária recebe o tecido e aciona os motoristas para encaminharem até as costureiras. Depois, eles coletam o material pronto e levam até o Hospital Estadual de Bauru (HEB), onde passa por esterilização. Em seguida, segue para a distribuição.

'NÃO PENSAR NA DOENÇA'

Uma tutora de Ensino a Distância (EaD) de 41 anos, que preferiu ter a identidade preservada, faz aventais para o CoronaVida desde o final de abril, quando passou a tratar um câncer. 

A mulher, que não costurava havia dois anos, encontrou no trabalho voluntário uma forma de não pensar na doença. "Cabeça vazia é um perigo e, por isso, a atividade contribui para o meu tratamento", frisa.

A oficial de Promotoria Maira Thais Lenharo Orti, por sua vez, desempenha o mesmo papel de Emery Komono no projeto. "Eu me tornei mais humana, porque converso com muita gente. Algumas costureiras, inclusive, viraram amigas".

Maira conta que 70% das costureiras são idosas e o projeto fez a diferença. "Muitas relataram que estavam depressivas, mas a campanha mudou a vida delas para melhor", completa.

Hoje, o CoronaVida possui 147 costureiras, mas 530 já passaram pelo projeto. 

SERVIÇO

Para contribuir ou saber mais, basta acessar a página facebook.com/CoronaVidaBauru ou entrar em contato por meio do telefone (14) 3227-3510.

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