A dona Dona não pode ir à quitanda e apertar os legumes e as frutas que nunca quiseram ser apalpadas , era um jeito de começar uma relação natural que não é mais natural!
A dona Dona teve que "baixar a bola" e baixar aplicativos, mesmo assim, ela desconfia de que lhe trarão verduras, frutas, bebidas...
Sabia que nos finais de semana tudo começava em pizza ou na comida japonesa ou no hambúrguer, mas trazer sua rotina naquela moto de escapamento aberto não seria uma válvula de escape?
A dona Dona sempre odiou as entregas, mas sempre amou as entregas, pois são sinônimos de servidão, a dona Dona sempre mandou para o porteiro do prédio ou condomínio o resto dos acepipes, sejam italianos, brasileiros ou japoneses! Ela alimenta a nação, achando que tem noção do que faz!
O interfone que podia ser um pedido de mendicância ou apelo para dona Dona, agora são seus pedidos como na lâmpada de Aladim, ela teve desejos de alimentar-se, empregados e empregadas realizaram seu sonho, cozeram, fritaram, fizeram receitas que não são de Ivermectina, cloroquina, nem tubaína, mas de gente que é mais gente que essa tal gente fina!
A dona Dona recebe seus pedidos, geralmente, por duas rodas, acha que não passa de obrigação, mas são humanos. Eles ajudam os Eus, sim, aqueles que se sentem imortais, ficam em casa sem valorizar entregas em domicílio, aliás, sabem o que é domicílio?
A dona Dona manda deixar na porta e fica em casa ou domicílio?