Para aqueles que adoravam criticar Lula e o PT pelo assistencialismo, dizendo que o Bolsa Família era "esmola para os miseráveis nordestinos" em troca de votos, gostaria de ouvir uma explicação. O Bolsa Família repassava, em média, R$ 178,00 para 14 milhões de famílias, o que dá, em média, um gasto social mensal de R$ 2.492.000,00.
O Renda Brasil pretende repassar, em média, R$ 300,00 para 21 milhões de famílias, o que resulta em um gasto social mensal de R$ 6.300.000,00 (ou seja, mais que o dobro do valor)...
Ficou claro que Bolsonaro está pressionando o ex-todo poderoso ministro Paulo Guedes a "dar um jeito" para pagar o Renda Brasil, afinal, esse benefício (ou como é que chamavam mesmo? Esmola?) renderia votos para sua reeleição, em especial nas regiões mais pobres.
Como se vê, sob pressão, Paulo Guedes (o tal liberal) já desenterrou a CPMF e a está maquiando para enfiar goela abaixo da população ativa, para ajudar a campanha do seu "patrão".
Vale lembrar que essa mesma CPMF era uma das grandes críticas que se fazia no Governo Lula e a direita votou em peso pela sua extinção. Aliás, o atual presidente Bolsonaro votou contra a CPMF nos dois turnos e discursou com este argumento: "Vamos partir para onde? Para 'cubanização', como forma de salvar o país?"
Agora CPMF é bom para o país? Agora não é "cubanização"? Agora o Renda Brasil não é assistencialismo? Não é troca de "esmola" por votos? O que mudou?
Pior: se o governo pretende utilizar essa nova contribuição para "turbinar" a campanha do sr. Bolsonaro, adivinhem quem vão ser os otários que vão estar pagando a conta?
Nessas horas sinto uma falta daquele pessoal revoltado que saia na rua, que batia panela, dos caminhoneiros e suas manifestações, do pessoal do Vem Pra Rua, do Movimento Brasil Livre, do Revoltados On Line... Onde foram parar esses valorosos "patriotas"?