Wakanda e? um território africano nascido no imaginário das histórias em quadrinhos. Atingido por um meteorito de vibranium - o mesmo material do escudo do Capitão América -, o local tem um desenvolvimento tecnológico, econômico e social nunca antes visto. Uma utopia cravada e escondida na África Oriental.
Chadwick Boseman, que morreu nesta sexta-feira (28), deu rosto ao rei T'Challa, herói desta nação. Fez com que o Pantera Negra saísse das tintas dos quadrinhos e ganhasse as telonas. Foi além. Fez com que o Pantera Negra saísse da ficção e ganhasse a vida real.
Quantas incontáveis crianças pretas puderam ver, pela primeira vez, que aquele herói imbatível tinha a mesma cor que elas? Que a majestade guerreira tinha o mesmo cabelo que elas? Quanto pretos, já adultos mesmo, não puderam sonhar que existe um herói por aí que pode desviar dos tiros desferidos covardemente pelas costas ou que pode se desvencilhar, com suas garras, ao ser esmagado no pescoço pela bota de um inimigo. Representatividade. Chadwick Boseman representou, como há muito tempo na?o se via, o conceito de representatividade.
Não me alongarei aqui, pois não e?, nem de longe, meu lugar de fala. Contudo, quero contar uma passagem. No ano passado, quando soube que meu afilhado (que é branco) queria um boneco do Pantera Negra, procurei o maior possível. Até exagerei. Comprei um que era quase do tamanho do garoto. Foi proposital. Queria mostrar para ele que aquele herói preto era gigante. Que aquele herói preto poderia ser muito maior do que todos aqueles brancos com capas vermelhas e escudos inquebráveis ou que aqueles loiros com martelos mágicos.
Você foi gigante, Chadwick Boseman.
"Na minha cultura, a morte não é o fim. É como se fosse um ponto de partida", explicou T'Challa à Viúva Negra no filme 'Guerra Civil'. Certamente, não é o fim.
O que você fez nunca terá um fim.
Viverá para sempre. Wakanda forever.
O autor é editor do JC, jornalista responsável da TV USP Bauru e especialista em linguagem, cultura e mídia