Bruxelas - A temida segunda onda de infecção pelo novo coronavírus veio mais mansa na maioria da Europa, mas, na Espanha, está mais alta do que nunca. O número de novos casos confirmados de Covid-19 nos 14 dias encerrados na terça (1) foi recorde desde o início da pandemia, segundo relatório da ECDC (agência europeia de doenças infecciosas).
Foram mais de 106 mil testes positivos nas duas semanas. Na primeira onda, o pico havia sido de 102 mil novos casos em 14 dias, em 5 de abril.
A nova maré de alta assusta menos agora, porém, porque não vem acompanhada de maior registro de mortes.
Foram 482 óbitos nas últimas duas semanas. Segundo números oficiais, a taxa de mortalidade (porcentagem de casos conhecidos que terminam em morte) é agora de 6,6%, pouco mais da metade dos 12% de maio.
Para o ministro da Saúde da Espanha, Salvador Ilia, o novo pico não justifica a adoção de uma nova quarentena, já que não há pressão sobre os hospitais.
Um dos países mais atingidos pela Covid-19 na Europa no primeiro semestre, a Espanha viveu um colapso no sistema de saúde e adotou um dos confinamentos mais rígidos, que foi relaxado em junho.
TURISMO E FRONTEIRA
O número de novos casos começou a crescer em julho, com o início das férias de verão. Mas a maior parte dos novos diagnósticos se dá agora em pacientes jovens, com menos tendência a desenvolver casos graves e menos risco de morte.
A idade média dos infectados agora é de 37 anos, contra 60 anos durante a primeira onda.
Entre as possíveis causas para o fenômeno espanhol foram apontadas festas de rua e em casas noturnas e a permissão para um número maior de pessoas em reuniões familiares. Um dos principais destinos turísticos do continente, o país também recebeu mais estrangeiros durante as férias, o que pode ter elevado a circulação do vírus.