Assim como uma ferida que não cicatriza, o ato de descarregar lixo e entulho em ruas e terrenos de Bauru é persistente e afeta centenas de pessoas. Em alguns casos, existe demora de a prefeitura recolher a sujeira, mas em outros, quanto mais o município limpa, mais os moradores voltam a depositar diversos resíduos. Um desafio para a atual gestão, a próxima, mas, sobretudo, para a própria população. Bauru conta hoje com oito Ecopontos, ao que tudo indica insuficientes para contemplar uma cidade com população estimada em 379.297 pessoas, segundo IBGE. Em contrapartida, são 18 os locais costumeiramente visados pelos porcalhões.
O "A Cidade é Sua" percorreu bairros e flagrou alguns pontos mais acentuados de acúmulo de sujeira. São eles as margens da avenida Alonso Campoi Padilha, no limite entre o Fortunato e a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, e uma rua de terra, que não tem nome, mas poderia ser apelidada de "Rua da Sujeira", devido à quantidade de entulho e lixo amontoados. Esta via de terra conecta o Núcleo Gasparini com o Pousada da Esperança. Uma área onde, segundo os moradores, não há controle nem fiscalização aparente. O registro de problemas no local é antigo. Na última atualização do Google Street View, de 2011, é possível circular virtualmente e observar lixo no local.
O gerente de vendas Daniel Tiburcio, 38 anos, que trabalha em uma concessionária na Alonso Campoi Padilha, destaca que, naquela área, trata-se de um problema crônico que poderia ser evitado pela população.
"É um fator de educação sanitária. O munícipe, em sua maioria do próprio bairro, descarta o lixo aqui neste canteiro entre a marginal e a rodovia, em quase toda a sua extensão. Não é de hoje que isso ocorre. Virou um hábito, infelizmente, de o cidadão usar carriola, baldes e veículos para depositar lixo", explica.
Daniel acrescenta que trata-se de um problema cíclico e cultural. "A prefeitura sempre nos ajuda quando percebemos que o volume voltou a ser grande. De bate-pronto o Poder Público vem aqui e faz a limpeza, mas a reposição do lixo é instantânea. Limpou em um dia, voltam a sujar no outro. Creio que o caminho seria realizar um trabalho de conscientização, começando nas escolas do bairro, com as crianças", diz Daniel.