O setor de serviços cresceu em julho, pelo segundo mês seguido, mas ainda está longe de recuperar as perdas causadas pela pandemia de Covid-19, entre março e maio. O volume prestado de serviços subiu 2,6% na comparação com junho, após alta de 5,2% ante maio, mas o nível de atividade ainda está abaixo dos 12,5% registrados em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).
Para Rodrigo Lobo, gerente da PMS, por causa da essência "presencial" da maioria das atividades de serviços, o setor deverá ter uma recuperação mais lenta do que o varejo e a indústria. E os auxílios emergenciais pagos pelo governo federal deverão ter pouco efeito para estimular a demanda, diferentemente do que tem ocorrido com as vendas do varejo, que avançaram 5,2% em julho ante junho e já recuperaram as perdas com a pandemia. Na avaliação do economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, os "números ruins" do setor de serviços mitigaram o "otimismo de curto prazo" com os dados das vendas do varejo, divulgados na quinta-feira pelo IBGE.
Na contramão, os serviços prestados às famílias caíram 3,9% em julho. 'Queda em restaurantes, salões de beleza e boa parte das atividades turísticas, é muito pior do que o do setor como um todo, pois está 56,6% abaixo do nível de antes da pandemia, em fevereiro", diz Sanchez.