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Controle de dados é principal desafio

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Especialistas apontam que a telemedicina já era uma tendência crescente no mundo todo ao longo dos últimos anos e que a pandemia da Covid-19 apenas acelerou um processo que ocorreria em breve no Brasil. Com grande potencial para tornar a assistência médica mais acessível e eficiente, ela traz, como principal desafio, o estabelecimento de parâmetros que garantam, especialmente, o sigilo das informações do paciente.

A transparência sobre como estas interações digitais ocorrem é essencial para que os indivíduos se sintam confortáveis em usar este tipo de tecnologia. Mas, mais do que isso, a transmissão de dados precisa se dar com alto nível de segurança, para evitar eventuais vazamentos, que podem gerar consequências graves tanto para os pacientes expostos quanto para as unidades de saúde.

"Hoje, você pode fazer uma videochamada pelo Skype e chamar de teleconsulta. Mas será que é adequado manter este processo desta forma? A grande questão não é analisar se a telemedicina irá continuar depois da pandemia - porque ela vai, mas sim quais serão os mecanismos de controle e regulação que o Ministério da Saúde, o Conselho Federal de Medicina terão de definir para garantir a segurança dos dados", pondera o professor Luiz Fernando Ferraz da Silva, que é coordenador do curso de Medicina da FOB/USP.

MENOR CUSTO

Atualmente, boa parte das operadoras de planos de saúde já dispõe de plataformas próprias para realizar estas interações, que podem ocorrer nas duas pontas, onde estão médico e paciente, através de dispositivos como celular, notebook ou computador de mesa. Como a telemedicina implica em redução de custos, Silva não desconsidera a pressão econômica que possa surgir, inclusive por parte das empresas clientes destes planos, para a rápida expansão da telemedicina.

Porém, o professor destaca que todo o processo precisará ser conduzido com base em critérios éticos, técnicos e de segurança. Para tanto, além da instituição de uma regulamentação mais minuciosa, ao longo do tempo cursos, congressos e disciplinas específicas sobre telemedicina terão de ser criadas para capacitar tanto estudantes da área quanto profissionais já formados.

"Em última instância, sempre caberá ao médico analisar quando ele consegue ou não utilizar a telemedicina para o bem do paciente, até porque a responsabilidade em qualquer situação de erro também sempre será do profissional. Se a telemedicina for utilizada de forma racional, como uma ferramenta complementar de suporte à saúde da população, a pandemia terá nos trazido um ganho de longo prazo, apesar de todo o sofrimento enfrentado pelos brasileiros neste ano", avalia.

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