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Identidades

Marjorie Rocha
| Tempo de leitura: 2 min

Ao acordar, deparei-me com esta frase célebre proferida por Abílio Diniz: "O que você faz pode ser substituído, mas nunca quem você é". Um olhar apurado nos revela a singularidade desta afirmação simples e verídica. A nossa essência é o que nos faz ser quem somos, mas nem sempre o que realizamos ou entregamos a correspondem, porque, infelizmente, obedecemos mais às leis externas, do suposto mercado de trabalho, figura abstrata e surreal, presente no mundo profissional.

Nossos dons, competências, habilidades e talentos são o que de fato nos distinguem e nos permitem construir uma expressão existencial única, capaz de nos elevar ou estagnar, a depender da força vital, das condições exteriores e circunstâncias pessoais. Nosso destino é traçado dia a dia, diante de escolhas e omissões, e assim vamos nos moldando ao Mundo, às pessoas, aos lugares, às funções assumidas.

No entanto, intuitivamente... e hoje bem sabemos que não se trata de algo metafísico ou místico, que a intuição, é aquela voz de consciência a qual os neurocientistas contemporâneos denominam de uma espécie de inteligência mais sutil, sofisticada... que escapa ao exercício do intelecto puro e encontra respaldo em áreas cerebrais as quais registram percepções, memórias, experiências. Neste sentido, compreendemos que podemos estar existindo ou realizando-nos como pessoas dotadas de significado próprio e intransferível. Se somos moedas de troca ou se compartilhamos e somos respeitados em todas as nossas dimensões e aspectos.

Deste modo, neste momento peculiar da Humanidade, seria interessante e prudente reavaliarmos os rumos e caminhos escolhidos, a partir de um olhar diferente, de uma atitude compatível com nossa maior riqueza pessoal e profissional, porque de fato todos nós, sem exceção, seremos um dia substituídos em nossos afazeres, tarefas, funções, desempenhos...

Mas poderemos ser desde já, aqui e agora, em cada âmbito de atuação, o ser humano que nos propomos... e executar fielmente a nossa intenção de crescimento e evolução ética, moral, espiritual... assumindo com responsabilidade todas as nossas "identidades" para que o Mundo nos conheça tal qual somos e para que nos possamos colaborar com o Mundo de forma única e incomparável. Eis aí o nosso real valor, o valor do que o mercado aprendeu a chamar de "capital humano".

Que em nosso próximo instante, mês, ano, século possamos ser lembrados como aqueles que, sabendo do que poderiam fazer, fizeram e fizeram da melhor forma, ou seja, de forma autêntica e original... Pois é assim que se constrói uma Civilização.

A autora é colaboradora de Opinião.

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