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A vida que continua em outra pessoa


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Você já parou para pensar que, em meio à dor da perda de um ente querido, um gesto de amor ao próximo pode fazer brotar esperança em alguém que tanto necessita? Jeferson Joaquim de Souza, 51 anos, é um exemplo desta verdadeira lição de vida. Por 17 anos, ele fez sessões de hemodiálise no Centro de Terapia Renal Substitutiva do Hospital de Base (HB) de Bauru por conta de uma doença renal. Até que um doador de órgãos, cujo Dia Nacional é celebrado neste domingo (27), mudou a sua vida.

"Surgiu a oportunidade e Deus abençoou de a família do doador se conscientizar e autorizar a doação do rim. O ente querido foi embora, mas eu continuo aqui, vivendo graças ao rim dele", conta, em tom de gratidão.

Depois de anos de espera, Jeferson pode viver com mais saúde e oportunidades graças a um gesto de solidariedade, pois, com o tão esperado transplante de rim, realizado há dois anos e oito meses, ele não precisa mais das sessões de hemodiálise. "É uma vida normal agora. A máquina [de hemodiálise] ajuda a gente, mas o transplante é uma outra qualidade de vida", explica.

O acompanhamento dele no Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu continua, por meio de consultas e com uma rotina de exames e medicamentos, mas eram as sessões de hemodiálise que traziam impedimentos. "Quem faz hemodiálise tem várias limitações. Não pode viajar, tem que tomar pouca água... então, os órgãos vêm de uma vida que Deus recolheu, mas podem ser aproveitados para ajudar uma outra pessoa que está na fila de espera por transplantes, que é muito grande. É uma ação que salva muita gente e ajuda a voltar a ter sonhos", enfatiza.

PROCEDIMENTO

No Hospital de Base, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT) realiza o trabalho que permite salvar a vida de muitas pessoas, nos casos em que há possibilidade de captar órgãos. Em momento adequado, com muito cuidado e preparo, os profissionais esclarecem as dúvidas de todo o processo e perguntam se há o desejo de doar os órgãos.

Quando há o consentimento, inicia-se o processo junto à Organização de Procura de Órgãos (OPO). Durante a pandemia, a equipe do HB também faz coleta do RT-PCR para Covid-19 e envia para o HC de Botucatu. E, com o resultado negativo, inicia-se o processo de captação.

SETEMBRO VERDE

Além de hoje ser o Dia Nacional do Doador de Órgãos, neste mês, celebra-se o Setembro Verde. A campanha tem feito a diferença na conscientização da população quanto à importância de se doar órgãos, mas é preciso debater mais sobre o tema. Esta é a avaliação da coordenadora da CIHDOTT do HB, Paula Dalsoglio Garcia. "Falar sobre morte ainda é um tabu e nós precisamos quebrá-lo, falando sobre doação e o benefício que se pode fazer por outra pessoa, pois, mesmo após a morte, eu posso deixar uma parte minha viva. Eu posso dar vida e permitir uma melhora da qualidade de vida de outra pessoa que ainda está aqui", destaca.

Segundo ela, as pessoas que sabem dos benefícios de quem recebe um transplante acabam doando. Assim, a campanha tem a importante função de conscientizar e explicar. "Eu sou doadora e tenho plena consciência do benefício que vai trazer para quem fica. E as pessoas tendo a informação, com certeza, também vão optar pela doação".

COMO SER UM DOADOR

"Muita gente tem dúvidas sobre o que é preciso para ser doador, mas, quando há interesse, só é preciso avisar os familiares, porque são eles que vão possibilitar a realização desse desejo", explica Paula Dalsoglio Garcia.

De acordo com a médica, apenas parentes de primeiro e segundo graus podem assinar uma autorização para doação de órgãos no momento em que é constatada uma morte encefálica. E, se eles souberem que o ente querido gostaria de doar seus órgãos, facilita muito tal decisão. "Coisas importantes precisam ser ditas em vida e, quando falamos aos nossos familiares do nosso desejo de doar os órgãos, tiramos das costas deles um peso enorme de tomar uma decisão tão importante em um momento tão difícil, na perda de um ente querido", ressalta.

Muita gente acha que é preciso registrar em cartório ou expressar a vontade de ser doador em algum documento específico, mas a profissional destaca que nada disso é necessário.

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