Uma operação realizada pela Polícia Civil de Bauru, desmembramento de uma operação mais ampla, conduzida pela Polícia Civil de Araçatuba, resultou na prisão de quatro pessoas na região, incluindo o vereador Glauco Luiz Costa Ton, conhecido por Batata, em Agudos, e de seu irmão, Francisco Ton, em Paulistânia. Conforme o JC apurou, o desmembramento foi necessário para que a Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Bauru levantasse informações sobre as circunstâncias em que ocorreram as duas cassações do mandato do prefeito de Agudos, Altair Francisco Silva, em novembro de 2019 e maio de 2020. Nas duas ocasiões, por decisão judicial, ele foi reconduzido ao cargo.
A hipótese considerada é que os dois processos de cassação tenham sido desencadeados após o chefe do Executivo agudense rescindir, em junho de 2019, o contrato com uma Organização Social (OS) que administrava uma unidade de saúde do município. E o que liga uma operação policial à outra é o fato de esta OS ser uma das organizações investigadas em Araçatuba, suspeitas de integrarem um esquema criminoso que pode ter desviado milhões de reais da área de saúde em cinco estados brasileiros (leia mais abaixo).
No caso específico de Agudos, ainda de acordo com o que o JC conseguiu apurar, o foco seria descobrir se esta entidade interferiu nos processos de cassação, conduzidos pela Câmara Municipal, bem como saber os motivos que levaram o prefeito ao rompimento do contrato. A informação, contudo, não é confirmada pela Polícia Civil, já que o processo tramita sob segredo de Justiça.
OUTRAS PRISÕES
Na região, além de Glauco Batata e seu irmão, foram presos temporariamente um empresário e um advogado em Bauru. Os nomes deles não foram informados na coletiva de imprensa da polícia. Outras duas pessoas eram procuradas em Agudos: uma foi localizada no Pará e outra seguia foragida.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Agudos, Bauru e Paulistânia. Em Agudos, buscas foram realizadas, inclusive, na casa de alguns vereadores e na sede da Câmara Municipal.
"Foram apreendidos documentos, veículos, celulares, tablets, notebooks. A investigação, relacionada à prática de corrupção passiva por parte dos agentes públicos e corrupção ativa por parte do prestador de serviço, deverá evoluir a partir de agora", descreve o delegado Gláucio Stocco, do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Secold), vinculado à Deic de Bauru.
Segundo o chefe da Deic, Ricardo Dias, as apurações dentro deste inquérito foram iniciadas há dois meses e terão continuidade após a análise dos primeiros materiais apreendidos e oitiva dos presos e eventuais testemunhas.
Procurado pelo Jornal da Cidade, o advogado Claudio Bahia, que representa Glauco Batata e Francisco Ton, informou que não poderia se manifestar sobre o caso porque ainda não havia tido acesso ao conteúdo das investigações.
De acordo com ele, os irmãos foram encaminhados à Cadeia Pública de Pirajuí.