A poluição, comum nesta época de tempo seco, provoca prejuízos ao meio ambiente e para saúde. Quando há queimadas e falta de chuva, a situação piora. Para especialistas, manter uma rotina saudável e reivindicar políticas públicas são essenciais contra o problema.
Segundo Mariana Matera Veras, pesquisadora e especialista em poluição do ar e saúde humana pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), a poluição é composta por gases e material em partículas. Ela pode ser originada na queima de combustíveis fósseis, emissão de indústrias e incêndios em florestas, por exemplo. Nas casas, o uso do fogão a lenha, lareira e fumar cigarro poluem o ambiente interno.
Em 15 de setembro, as queimadas no Pantanal e no interior de São Paulo aumentaram a faixa de poluição na capital paulista. Até o último dia 30, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 4.998 focos de incêndio no estado, um crescimento de 87% se comparado ao mesmo período do ano anterior.
"A somatória de poluição com ar seco facilita a respiração desses materiais nocivos", diz José Roberto Megda Filho, pneumologista e professor da Faculdade de Medicina de Taubaté.
Segundo o médico, o problema aumenta a irritação das vias respiratórias. Pessoas predispostas a alergia, com asma e rinite, tendem a ter mais crises quando a poluição está elevada.
Mariana explica que, quanto menor for o material particulado, maior a chance de ultrapassar as barreiras do organismo e agravar ou causar doenças. A longo prazo, a inalação constante pode provocar problemas respiratórios, cardiovasculares, impactos no sistema endócrino e até interferir no desenvolvimento dos bebês.
"As partículas são reconhecidamente cancerígenas para o ser humano. São associadas ao câncer
de pulmão e, possivelmente, ao de bexiga", afirma.
O médico complementa com a possibilidade de a inalação de poluentes poder causar câncer nas áreas da cabeça e pescoço.
Com o novo coronavírus, que ataca principalmente o sistema respiratório, Mariana diz que a pessoa com um pulmão comprometido devido à poluição pode sentir mais efeitos na saúde ao se contaminar. Ela menciona que há estudos no exterior que relacionam altos índices de poluição com mais mortalidade por Covid-19.
Hidratação ajuda a minimizar impactos da poluição Para lidar com a exposição ao ar poluído, a pesquisadora Mariana Matera Veras e o pneumologista José Roberto Megda Filho recomendam beber muita água, lavar o nariz com soro fisiológico e ingerir alimentos saudáveis.
Mariana explica que alguns cuidados podem ajudar às pessoas, mas não é possível se proteger totalmente do problema. "A poluição é um inimigo invisível, é diferente de tomar um copo com água suja", diz.
Além disso, a pesquisadora afirma que a população precisa pressionar as autoridades para que políticas públicas voltadas para o meio ambiente sejam implementadas. O uso de combustíveis não poluentes, ampliação do transporte sobre trilho e melhoria dos padrões de qualidade do ar são exemplos.
Outra possibilidade é mudar o comportamento pessoal e diminuir o consumo de produtos. "Quase tudo que consumimos passou por um processo industrial e ele acaba tendo impacto com emissões para a atmosfera", explica.
COMO LIDAR?
Ações individuais não são capazes de proteger alguém totalmente. Ainda assim, há medidas que podem reduzir os seus impactos; Procure se hidratar, bebendo muita água; Vale lavar o nariz com soro fisiológico; Tenha uma alimentação saudável; Pratique atividade física, ao menos 120 minutos por semana; Prefira fazer corridas e caminhadas em áreas verdes ou ruas mais tranquilas; Se possível, não fique próximo de queimadas e evite vias movimentadas em horários de pico.