O Estado e a rede privada discordam da decisão tomada pela Prefeitura de Bauru, no último dia 3 de outubro, de suspender as aulas regulares presenciais na cidade em 2020. Se não fosse a medida, tomada por meio de decreto municipal, as unidades poderiam ter reaberto na última quarta-feira (7), com base em autorização do governo estadual.
O subsecretário estadual de Articulação Regional, Henrique Pimentel, e o diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), Gerson Trevizani Filho, dizem ainda que mantêm diálogo com a prefeitura para tentar reverter a decisão.
Pimentel garante que as escolas estaduais receberam verba extra e estão preparadas para reabrir neste momento da pandemia. Ele cita, inclusive, que o município, apesar da autonomia que possui para legislar sobre o assunto, deveria ter apresentado ao Estado uma justificativa epidemiológica para embasar a suspensão. "Em Bauru, a justificativa científica não foi apresentada. Falar que a escola estadual não está preparada apenas não é o caso. Chegou a hora de reabrir", defende. "Se fosse um município que não tivesse leitos de UTI disponíveis, a gente entenderia a não reabertura agora".
Pimentel assegura que os protocolos adotados pelo Estado em unidades que já abriram para atividades de reforço em 8 de setembro, em outras regiões, se mostraram confiáveis. "Não tivemos nenhum caso de aluno contaminado", observa.
VERBA EXTRA
Segundo ele, todas as escolas de Bauru têm plano de retorno e receberam verba extra total de R$ 361 mil (que deve ser divida entre 79 unidades) para aplicar em ações contra a Covid-19. Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), totens de álcool em gel, sabonetes, toalhas de papel, máscaras, e face shields também foram entregues para a Diretoria Regional de Ensino (DRE). "Há supervisão rígida para reabrir", garante Pimentel.
As reaberturas em outras regiões têm funcionado com 20% da capacidade total e por 4 horas diárias. O retorno é opcional para alunos e professores e deve priorizar quem não tem condição de acompanhar as atividades remotas. "É muito importante dar essa oportunidade ao aluno que não conseguiu acompanhar nada últimos 7 meses, porque ele pode ser muito prejudicado".
PARTICULARES
Diretor regional do Sieeesp, Gerson Trevizani Filho diz que tentará argumentar com o prefeito, em reunião ainda a ser marcada, que a experiência do reforço e acolhimento, permitida desde 21 de setembro em Bauru, se mostrou positiva e que há condições de reabrir para novos conteúdos. "Não houve nenhum surto e não tivemos reclamações. Notamos que os alunos estão disciplinados e seguindo as regras de distanciamento. As escolas estão equipadas e totalmente preparadas", frisa.
Para ele, a decisão da suspensão foi "precipitada" e até "exagerada". "O sindicato não pretende ingressar com ação na Justiça, até porque é do prefeito a prerrogativa da decisão, mas queremos uma reavaliação", finaliza.