As mudanças provocadas pela pandemia atingiram em cheio a saúde mental dos professores, que passaram a ficar bem mais ansiosos diante da nova realidade. Muitos deles estão ainda mais preocupados com o retorno presencial das escolas. Os profissionais estão sobrecarregados, tentando dar conta de tudo. E durante este tempo, quem cuida deles?
Para Carla Jarlicht, psicóloga e consultora educacional, a transformação da rotina presencial para a online e a expectativa (e preocupações) com o retorno das aulas em sala gerou um impacto negativo na saúde mental dos professores. "Os professores viveram uma mudança drástica na forma de trabalho. A maioria das pessoas que puderam trabalhar de casa, continuaram a fazer o mesmo trabalho. Mas o professor, cuja atuação é essencialmente presencial e envolve muito os vínculos afetivos, precisou aprender formas diferentes de ensinar. Toda mudança gera ansiedade e angustia, e a maioria deles não contou com uma estrutura para mudar drasticamente", diz Carla Jarlicht, psicóloga e consultora educacional.
Desde que as aulas passaram a ser virtuais, os professores são cobrados de todos os lados. A escola exige um ensino dinâmico, interessante, que prenda a atenção do aluno. Já os pais, desacostumados a permanecerem tanto tempo com seus filhos dentro de casa, bombardeiam os celulares dos mestres com mensagens - às vezes até desaforadas - solicitando ajuda. Os alunos, por sua vez, aprendem menos do que poderiam, por falta de dedicação ou dificuldade de adaptação à nova realidade. Para os professores, sobra trabalho e frustração.
"É preciso que haja um alinhamento de expectativas. Deve-se traçar com os coordenadores pedagógicos caminhos possíveis e realistas de como passar o conteúdo através das ferramentas disponíveis. Com os pais, é preciso explicar como vai funcionar as aulas naquele mês e como eles poderão contribuir para que o aprendizado ocorra da melhor maneira possível", orienta Luciana Brites, psicopedagoga e CEO do Instituto NeuroSaber.