Um grupo internacional de astrônomos fez a primeira detecção do que provavelmente é um planeta com a massa da Terra ? ou talvez ainda menor ? vagando sozinho pela Via Láctea. Surpresa zero de que astros assim existam, mas sua detecção mostra que essa população de objetos já pode ser estudada pelos astrônomos, o que é um avanço importante.
Os chamados planetas errantes devem ser extremamente comuns, mas, como se pode imaginar, muito difíceis de ver. O processo de formação planetária é bastante turbulento, e interações gravitacionais por vezes podem ejetar mundos inteiros de seu sistema de origem. Então, em vez de girarem ao redor de estrelas (como fazem os nossos planetas em torno do Sol), eles vagam pela Via Láctea, em órbitas ao redor do centro galáctico.
Devem, portanto, existir aos montes. Mas é muito difícil detectá-los, por duas razões: na escuridão do espaço interestelar, não emitem radiação luminosa suficiente para serem notados. E, o que torna tudo ainda mais difícil, não sabemos onde procurá-los.
Bem, então como o grupo liderado por Andrzej Udalski, da Universidade de Varsóvia, na Polônia, encontrou esse pequeno mundo errante? O truque é vasculhar o céu à procura das chamadas lentes gravitacionais.
Em novo artigo publicado no periódico Astrophysical Journal Letters, o grupo de Udalski reporta a mais rápida micro-lente gravitacional já registrada, com duração de 41,5 minutos. Tudo isso aconteceu em 18 de junho de 2016 e ficou na base de dados do OGLE até o evento ser analisado, mais recentemente, detalhadamente pelos cientistas.
A modelagem indica que o objeto a produzir a lente, registrada como OGLE-2016-BLG-1928, muito provavelmente é um objeto com massa inferior à da Terra, talvez apenas um pouco maior que Marte.