Indiscutivelmente, Marcelo Borges atuava em outro campo na vida política e em encontros pessoais ou por fone discutíamos muito, sempre estando em campos opostos, entretanto, era amigo pessoal desde o já longínquo 1978 e mantínhamos a amizade, apesar das rusgas ideológicas, sabendo separar as divergências da convivência.
Era dotado de grande senso de solidariedade e toda a vez que tomava conhecimento de que algum amigo estava em dificuldade, buscava apoiar, ajudar de forma sempre espontânea, mesmo sabendo que não obteria dividendos políticos.
Claro e evidente que, como pessoa pública, tinha críticos, entretanto, conseguia superar e tocava sua vida e militância partidária.
O escritor Zuemir Ventura escreveu '1968 - o ano que não acabou' e alguém irá escrever '2020 - o ano que não começou'. É incrível como estamos perdendo amigos e companheiros neste triste ano.
Antes da pandemia, perdemos o velho combatente Raphael Martinelli, ícone da luta da classe ferroviária, depois Ruth do Amaral Sampaio, em setembro perdemos Roque Ferreira e agora Marcelo Borges.
Na realidade, de meu círculo pessoal de amigos passa de três dezenas o número daqueles que partiram. Triste e dolorido. Que Marcelo Borges, o menino que veio estudar em Bauru e por aqui criou raízes, encontre a paz e a transmita aos seus familiares, esposa e filhas.
Divergências políticas à parte, tenho a certeza de que o irmão Marcelo já está fazendo falta nestas paragens.