Regional

Bariri elege a primeira trans na região

Marcele Toinelli
| Tempo de leitura: 2 min

Bariri - Mulher, moradora da periferia e afrodescendente, Myrella Soares da Silva (DEM), eleita a nova vereadora de Bariri (56 quilômetros de Bauru), colocou o município na frente em uma estatística que tem crescido em todo Estado: a de transexuais que ocupam cadeiras na política. Com 343 votos, ela foi a 8.ª mais votada na cidade e a única trans eleita em toda região de Bauru pelo que se tem notícia (leia mais ao lado).

Bauru e São Manuel também tiveram candidatos trans, mas eles não foram eleitos.

Ansiosa para 2021, Myrella diz que terá pela frente não só o papel da representatividade feminina, mas também o da defesa e incentivo de políticas públicas voltadas à minoria (população em situação de desvantagem social).

"Entrarei na Câmara não só pelas mulheres e LGBTs, mas para dar voz e vez aos afrodescendentes, à periferia, às minorias como um todo e até aos funcionários públicos", cita. "Quero ser a amiga da população que ajudará a resolver os problemas da nossa cidade", completa a candidata eleita.

Desde 2018, Barri não tem representatividade feminina no Legislativo. A nova vereadora dividirá o plenário com mais oito homens.

Ela considera que fará o papel de oposição inteligente ao prefeito eleito, Aberladinho (MDB).

"Quero trabalhar e deixar a cidade caminhar, mas também não vou passar pano se souber de coisa errada", comenta.

VIDA

Natural de Jandaia do Sul (PR), ela conta que chegou à cidade aos 4 anos com a família, e há 30 anos reside no Núcleo Três, região periférica do município. Solteira, divide a casa com a mãe e a sobrinha.

Formada em artes visuais e pós-graduada em design, Myrella é funcionária pública há 15 anos e já havia tentado se eleger vereadora em 2012 e 2016.

Ela conta que entrou na política influenciada pela militância dos irmãos e que seu primeiro partido foi o PT. Passou também pelo PV, antes do DEM.

Como transexual, enfrentou preconceitos desde quando se assumiu, em 2020. No ano passado, ela concluiu a transição com cirurgia de redesignação sexual. Foi também a primeira trans de Bariri a ter alteração do nome.

"Sei que o preconceito não acaba com a visibilidade maior, tenho consciência de que ele ficará velado, mas vou continuar enfrentando como sempre fiz. De cabeça erguida e com paciência", finaliza.

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