Mais que um gênero musical, o samba tornou-se um fenômeno social que saiu das periferias, perpassa gerações e se consagra a cada ano. O ritmo, que tem a cara do Brasil, comemora seu dia nacional nesta quarta-feira (2), e é exaltado por um dos grandes nomes do estilo, a cantora e compositora Teresa Cristina, que falou com o JC Cultura nesta terça-feira (1).
"Salve o Dia Nacional do Samba. Todo o significado dele e tudo o que ele representa é importante para um ano pesado como foi 2020. O samba é um gênero de acolhimento. Ele cura e acolhe, e estas foram as palavras mais necessárias neste ano de 2020", frisa Teresa Cristina, lembrando a letra de Noel Rosa, "o samba é uma forma de oração".
E foi em diversos momentos tristes, delicados e angustiantes vividos neste ano de pandemia, que o samba se apresentou como elemento de graça e alegria, principalmente, para quem segue a cantora nas redes sociais.
RAINHA DAS LIVES
Com um sorriso largo, lábios pintados de vermelho - fielmente retocados durante as apresentações - e muito samba na bagagem, a cantora Teresa Cristina ganhou, neste ano, o título de "rainha das lives".
Isso foi resultado de suas diversas apresentações que animaram os chamados "Cristiners" durante a pandemia, em "lives" transmitidas pelas redes sociais. Nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, Chico Cesar e tantos outros gigantes da música brasileira dividiram a telinha com a artista.
MOMENTOS E SAMBAS
Com essas oportunidades, a cantora chegou relacionar as apresentações online com grandes rodas de samba. "As lives que cantei os sambas de Candeia, os de roda do Recôncavo, os de São Paulo e os do Rio de Janeiro, claro, foram muito especiais. Fiz diversas noites de sambas aleatórias", conta.
Outros sambas de Paulinho da Viola, de mulheres fortes como Jovelina Pérola Negra, Clara Nunes, Alcione, Dona Ivone Lara, Leci Brandão também brilharam na voz de Teresa Cristina. "Tivemos noites memoráveis com Pretinho da Serrinha, Moyseis Marques, Monarco, Noel Rosa, Zé Keti, Luiz Carlos da Vila, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Jorge Aragão... Foram tantas noites maravilhosas", comenta.
Com dificuldade para eleger apenas um samba que tenha sido mais especial em todas essas apresentações, a cantora lembrou a participação de Benedita da Silva. "Ela cantou o samba 'Amendoim Torradinho' para o marido, Antônio Pitanga. Foi lindo!", diz.
PELO MUNDO
Ao longo de mais de 10 anos de carreira, Teresa não só conquistou os palcos brasileiros - e, cada vez mais, os seus seguidores que carinhosamente são chamados de 'Cristiners' - como levou o legítimo samba de raiz para países como Japão e Alemanha (onde participou da Copa da Cultura a convite do então ministro Gilberto Gil), França (nas comemorações do Ano do Brasil na França, em 2005), Índia, México, Equador, Espanha, Holanda, Itália, Bulgária, África do Sul e Rússia.
Como representante brasileira do estilo, por tantas vezes, Teresa aproveita o momento, de final de ano, para passar uma mensagem através do samba. "Vou deixar um verso do Candeia que cai muito bem para essa ocasião: 'Enquanto se luta, se samba também'. É isso, quando cantamos um samba, estamos lutando pelo nosso direito, pela nossa existência e pelo nosso bem-estar", finaliza.