Cultura

Natal bem à brasileira

FolhaPress
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Altas temperaturas, shoppings lotados, arroz com passas, panetone, o tio do "é pavê ou pacomê". Definitivamente, o Natal no Brasil não lembra em nada as celebrações típicas retratadas nos filmes norte-americanos, com muita neve, Jingle Bells e casas enormes com fachadas iluminadas. Clássicos como Esqueceram de Mim, A Felicidade Não Se Compra, Grinch, até Duro de Matar, entre tantos outros, fazem parte da memória afetiva do público brasileiro há gerações.

O cinema nacional nunca, de fato, se enveredou por esse gênero. Este ano, no entanto, diversas produções investem em histórias natalinas com o jeito brasileiro de comemorar a data. E os filmes pioneiros estrearam no início deste mês: "Tudo Bem No Natal Que Vem", com Leandro Hassum, está no cardápio da Netflix e já ocupa o primeiro lugar em diversos países europeus, e "10 Horas Para o Natal", com Luis Lobianco, em cartaz nos cinemas de Bauru.

De acordo com o site Flixpatrol, especializado em rankings de audiência de streaming, "Tudo Bem no Natal que Vem", chamado de "Just Another Christmas" fora do Brasil, é líder em Portugal, Alemanha, Suíça, Áustria e Luxemburgo. Além disso, foi terceiro mais visto da Netflix no fim de semana, em todo o mundo.

É interessante perceber que "Tudo Bem No Natal Que Vem" e "10 Horas Para o Natal" têm muitas similaridades: são comédias leves, divertidas, mas recomenda-se assisti-las com lencinhos para enxugar as lágrimas nos momentos mais emocionantes; as histórias giram em torno da figura do pai, mas preste atenção: os filhos desempenham papéis fundamentais nas tramas; há separação dos casais principais; e a jornada dos personagens vem carregada de mensagens que são reveladas no final.

Filme nacional de Natal da Netflix, "Tudo Bem No Natal Que Vem" conta a história de Jorge (Hassum), casado com Laura (Elisa Pinheiro), pai de dois filhos e que mora no Rio. Ele detesta o Natal, porque faz aniversário no dia 24, e, por isso, a vida inteira ganhou só um presente e nunca conseguiu fazer festa com os amigos, porque eles estavam comemorando a data com suas famílias. Numa noite típica natalina em sua casa - com muita comida, presentes e discussões entre parentes -, Jorge é obrigado a se vestir de Papai Noel e cai do telhado. Depois daquele incidente, ele acorda na véspera de Natal do ano seguinte e se dá conta que não lembra de nada do que viveu naquele ano. E está condenado a passar por isso ano após ano.

"O Natal brasileiro é Roberto Carlos, é Simone, é família brigando. Então, isso que traz a identificação. Tenho predileção pelo humor de identificação. Bato muito nessa tecla, porque o brasileiro está precisando se identificar com as coisas", diz Hassum, que comemora o fato de o filme poder ser visto na plataforma de streaming em 190 países. "Além de divertir muito, faz pensar: preciso valorizar os momentos, minha família, olhar para as pessoas próximas. A gente tem uma participação especial do Daniel Filho, que faz meu pai, e ele fala para mim: 'A vida é um sopro, meu filho'. E essa frase neste ano de 2020 ficou muito comprovada."

Com direção de Cris D'Amato, "10 Horas Para o Natal" também trabalha nesse campo da identificação. Em São Paulo, o Natal na casa dos Silva era uma alegria até Marcos Henrique (Luis Lobianco) e Sônia (Karina Ramil), pais de três filhos, decidirem se divorciar. As celebrações natalinas passam a não ser mais as mesmas. Para uni-los de novo, as crianças (entre elas a atriz Giulia Benite, de Turma da Mônica - Laços) planejam um Natal especial e vão sozinhas à 25 de Março. Após descobrir o paradeiro dos filhos, Marcos Henrique acaba embarcando no plano. Eles têm apenas 10 horas para conseguir erguer essa festa e convencer a mãe a participar dela. Mas, claro, encontrarão (muitos) obstáculos. 

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