O povo, que deveria ser soberano, mais uma vez é colocado à margem das discussões. É isso mesmo, entre a cruz e a espada. Enquanto acontece a queda de braço entre governos em torno da vacina contra Covid-19, o povo paga com a vida. Todos os dias são registrados mais e mais casos da doença, além das mortes que nem se sabe se os números correspondem à verdade. Aliás, o povo é o que menos sabe. Se de um lado tem uma ala da imprensa que é terrorista e trabalha para espalhar o pânico, outra é omissa, e passou a publicar notícias sobre a pandemia nos rodapés das páginas. Os noticiários de alguns canais de tevê se limitam a atualizar os números, enquanto outros destacam a disputa para saber quem é 'o pai da criança'.
Sobre a vacina, pouco ou quase nada se sabe. A sua eficácia ou não será comprovada com a população sendo cobaia. Não há garantia que essa corrida dos laboratórios para colocar no mercado uma vacina, também garanta que ela vai imunizar 100% contra o vírus. Nenhuma vacina, até então, surgiu em menos de no mínimo cinco anos. Claro, é uma situação atípica.
Nunca houve necessidade da descoberta e produção de uma vacina em pouco tempo. Ainda assim, é duvidosa essa rapidez.
Além de todos esses fatos, ainda há que considerar as atitudes das pessoas que não estão preocupadas com a existência de um vírus que mata. Parece que quanto mais pessoas morrem, outro tanto não se importa com a vida. Já era previsto que, após as eleições, o número de contaminados iria aumentar. Imagine depois do Natal e Ano Novo? Apesar das recomendações para que não aconteçam festas, as pessoas não veem a hora de se reunir e comemorar.
Dizem que as datas não podem passar em branco. Mesmo que para isso muitas pessoas tenham que morrer. É lamentável. Talvez por isso os governos tratem do assunto apenas considerando números. Reclamar do que e para quem, quando a própria população não se considera responsável por nada? É bom nem querer pagar para ver.
Por ora, é melhor usar máscara, ficar em casa se puder. Se proteger e proteger quem você ama é a maneira mais sensata de conviver com a situação. Não acredite que, ao tomar a vacina, acabou a pandemia. O vírus é mutante.
E não existe segunda onda quando a primeira nem terminou.
A autora é jornalista, colabora com Opinião.