"Estava tudo novinho. Usamos nossas economias para construir essa casa e mudamos pra cá não faz nem um ano. Agora, a chuva levou tudo". Este é o triste relato de Priscila Navareth Carneiro, de 31 anos. A dona de casa é moradora do Ferradura Mirim - que passou a se chamar Vila do Sucesso neste ano - e, junto com o filho de 13 anos e o cunhado, assistiu parte do telhado do próprio imóvel ser arrancado pelo vento durante o temporal que atingiu Bauru na tarde desta quarta-feira (16). O dia seguinte à tempestade foi de contabilização de prejuízos e reparos no bairro e em muitos outros lugares da cidade (leia mais abaixo).
Priscila é uma das tantas moradoras do Ferradura Mirim que tiveram suas residências destruídas e perderam roupas, móveis e colchões. Segundo a Defesa Civil, 50 casas sofreram algum tipo de avaria e oito delas foram danificadas com mais gravidade, pois foram atingidas por árvores de grande porte ou as paredes cederam. Felizmente, ninguém ficou ferido. Ainda de acordo com o órgão, os afetados preferiram ir para a casa de parentes, ao invés de abrigos da cidade.
Durante a chuva, Priscila estava em casa, na quadra 2 da rua Dezessete, acompanhada de seu cunhado e seu filho, de 13 anos. "De repente, ouvi um barulho muito alto e vi o vento levando embora o teto do banheiro e do quarto. Todas as telhas, madeiras e fios foram de uma vez. Peguei meu filho e corri pra baixo da mesa. Só conseguia pensar em nos proteger", detalha.
Depois disso, ela teve que assistir a chuva molhar o que estivesse por ali. "Hoje, coloquei o colchão para secar, para ver se a gente ainda consegue usar. Isso que ele já nem era tão bom", lamenta. Além do filho, ela mora no local com o marido e a filha de 2 anos.
Sobre a reconstrução, Priscila relata que vai precisar de ajuda. "Hoje [ontem] estou focando em limpar a casa, tirar o barro, ver o que estragou. Não posso pensar no que vou gastar, porque nem temos dinheiro para isso. Vou ter que pedir ajuda", finaliza.
'LEVOU TUDO'
No mesmo bairro, Tatiana Gonçalves, de 34 anos, conta que uma árvore caiu na sala da casa dela e também destruiu parte do imóvel.
Além disso, a enxurrada ainda invadiu os cômodos e levou roupas e sapatos. "Na casa da minha filha, foi bem pior. Como ela não tem guarda-roupa, a água levou tudo, até os chinelos. Minhas netas estão descalças", lamenta. "Tivemos que dormir em um colchão molhado em uma vizinha".
AJUDA
Nesta quinta (17), foi formada uma força-tarefa entre a Defesa Civil e as secretarias do Bem-Estar Social (Sebes), Obras e Meio Ambiente (Semma) para retirar entulhos, árvores caídas e prestar o apoio social necessário às pessoas afetadas, além da distribuição de lonas, colchões e 37 cestas básicas. Pela manhã, o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB) esteve no local e participou da mobilização.
De acordo com a prefeitura, o Fundo Social de Solidariedade organizou uma mobilização de ajuda para as famílias atingidas e para moradores do Ferradura Mirim. Quem puder doar móveis, roupas, ração para cães e gatos, ou qualquer outro tipo de ajuda, deve ligar para (14) 98136-4368.