Estamos no mês do Natal. Para muitos, o dia da comemoração do nascimento de Jesus está chegando. A simbologia do Natal nos visita todos os anos, entretanto este ano vem nos lembrar de modo especial sobre a essência da vida, a dignidade do não encontro que une, que resiste aos maus ventos, talvez para nos atentar sobre a dinâmica da luz que ilumina e clareia ideais, que não divide religiões, idealizações, que sobrevive à distância, ao tempo, às crenças que limitam olhar o outro, respeitá-lo.
Uso de máscaras, distanciamento social, essência da pulsão de vida, e dentre tantas experiências traumáticas que estamos vivenciando, estão também relacionadas às perdas significativas: dos que se foram, do que era antes, da convivência natural, do poder ir e vir, daquele mundo que tínhamos até março. Deixar nossos medos de lado, atualizar os entornos, a emergência dos cuidados fundamentais que precisamos ter, não permanecer em estado de negação diante do mundo que estamos vivendo. Esses sim atualizam o Natal que precisamos ter: da pulsão de vida.
Pulsão no sentido da representação psíquica de estímulos que originados no organismo chegam até a mente. Pulsão de vida e pulsão de morte, uma que preserva a vida, outra que nos expõe à não preservação da espécie, ambos como impulsos que moldam nossas ações, por isto pulsão de vida, Natal da Luz. Assim teremos que reinventar o nosso modo de celebrar, abrindo espaço para o essencial, com menos glamour, sem o verniz do excesso, com festejos mais íntimos, celebrando a pulsão de vida, no encontro amoroso virtual com os distantes, e um brinde caloroso com os próximos. Ninguém deveria deixar de manifestar o seu amor à sua família e a seus amigos, e nesse sentido, poderemos manifestar o amor genuíno enquanto pudermos abrir novas frentes de convivência possível que não desiste frente as dificuldades, que se reinventa.
É um mito dizer que tudo irá se normalizar em breve. Seria correto pensar que diante dos nossos medos e das experiências que estamos vivenciando este ano, reinventaremos os sentidos e prioridades diante da vida, e nunca mais seremos os mesmos, mas teremos bagagem para sermos melhor. Assim, o Natal poderá ser o Natal da Luz, do essencial, que não deixa ninguém de lado, que não divide, que une, mesmo estando distante e tendo que se reinventar. Qualquer manifestação de amor será bem-vinda, se pudermos manifestar nossas crenças de modo concreto: menos falatório, mais ação, menos divisão, mais união, menos desrespeito, mais respeito, priorizando a Luz, para celebrar o Natal da Luz.
Em tempo, este texto foi escrito ao som da música Winter Wonderland, por Kenny G.
A autora é colaboradora de Opinião.