"Mortovivo morto vivo". Morto, a criança agachava-se, vivo ficava em pé! Assim permanecia até o último elemento que seria considerado o vencedor! "Balança caixão, balança, você dá um tapa na b .... e vai se esconder!"
Caixão? Pijama de madeira?
Ninguém o queria somente na brincadeira! Inequecíveis tempos em que falar de morte era brincadeira, tinha-se medo do cemitério da funerária ! Mário Quintana já dissera: "A morte é o único momento em que podemos dormir de sapatos".
A verdade é que se evita falar da morte com razão, pois queremos viver, e muito! A pandemia nos fez pensar em morte em saber de mortes, em lamentarmos mortes! Chega-se a estipular o máximo de anos para se viver e conformar-se com a morte de alguém de idade avançada, avançou o sinal que sinal? Dos tempos?
Como diria o poeta e mestre Leonardo de Brito: "Não deixe o samba morrer...". Ficamos com medo de brincar com a sorte e de brindar com a morte! Assistíamos a filmes de terror e esperávamos a morte, atualmente o terror do Covid, palavra contraditória pois lembra o prefixo "co", de junto, ao lado, e o início da palavra "vida". Que léxico mais morfético!
Toda vez em que falei de acentuação gráfica, sempre gostei das proparoxítonas, um dia chamadas de esdrúxulas, as palavras sempre acentuadas, sem exceção, são lindas: música, erótico, místico, físico, apareceram tão bem escritas em "Construção", de Chico Buarque, ou no hilário e reflexivo "Robocop Gay", de Mamonas Assassinas. Nunca gostei das paroxítonas: júri, éter e, principalmente, vírus!
Não vejo a hora de falarmos de vida novamente e de mente nova, não sei se haverá o novo normal, já que Caetano Veloso profetizou que "de perto ninguém é normal!". Quero ir a um bar cantar, gritar, quero abraçar pessoas, quero dar aulas presenciais, quero cumprimentar a todos, mesmo àqueles que não respondem a um "Bom dia" ou perguntam: "Por quê?".
Espero nunca mais ouvir falar da morte, pois ela se julga o fim, eu quero sempre recomeçar! Que a vida nos caia bem e sempre! Que a vacina seja a sina do vírus que vá! Que o mundo volte a nos querer livres e anormais que tenhamos o mundo recém-nascido e não refém-covido!