Se você ainda não assistiu "O Gambito da Rainha" esta leitura pode conter alguns spoilers, mas são válidos já que estamos falando sobre a série mais assistida da história da Netflix. A plataforma de streaming anunciou, no final de novembro, que a minissérie (The Queen's Gambit, no original) foi vista por mais de 62 milhões de assinantes em quatro semanas.
Com tamanha repercussão (leia ao lado), o xadrez ganhou os holofotes da cultura pop e os enxadristas, principalmente, as enxadristas também. A minissérie, estrelada por Anya Taylor-Joy, possui apenas sete episódios baseados na ficção do livro de mesmo nome escrito por Walter Tevis e publicado em 1983 e apresenta uma jovem órfã chamada Beth Harmon que se revela um prodígio enquanto jogadora profissional de xadrez.
Os espectadores puderam ver a protagonista transitando por este universo extremamente competitivo e, por muitas vezes, machista. Também conheceram um lado mais profundo e íntimo de sua personalidade. Na vida real, assim como a predominância masculina, outros detalhes da série puderam se confirmar.
"Eles contaram com enxadristas para tornar as cenas mais reais, utilizaram elementos da época, como o relógio analógico, e mantiveram as nomenclaturas", comenta Eric Piassi, árbitro e professor de xadrez no Bauru Tênis Clube (BTC). E o que quer dizer "gambito" e por que é o da "rainha" e não o da "dama"?
Piassi explica que o termo rainha só não é utilizado para não se confundir com anotações relacionadas ao rei. Sendo assim, "R" é de rei e "D" de dama. Sem confusões nas jogadas. Já sobre o gambito, trata-se de uma abertura em que se sacrifica uma peão para tirar vantagem disso depois (confira no vídeo).
INFLUÊNCIA
O professor ainda destaca o aumento na procura pelo curso, logo após o lançamento da produção e a influência para os alunos. "Utilizamos a série para diversos ensinamentos, inclusive o constante estudo", salienta.
Alunas de Eric, as enxadristas Antonela Trentini Sanches, 8 anos; Ingrid Araujo Julião Rosa, 10, e Liara Blanco Silva, com 16, aprovaram a história e sentiram-se representadas em diversos momentos. "Gosto da forma como ela descobre o xadrez. Eu também sou muito curiosa e percebi essa característica nela. Foi muito legal ver como ela era criança", afirma a pequena Antonela.
Para Ingrid, o episódio final foi marcante. "Foi muito lindo ver como ela se dedicou para chegar até ali. Outra cena legal é quando ela joga bets - uma partida mais rápida - desafiando todos os amigos", conta. Já Liara, que joga desde os 4 anos e participou de diversos torneios, comenta a força e representatividade da personagem para as poucas, mas talentosas meninas, no esporte. "Não é fácil uma mulher chegar no nível em que ela chegou. Sempre foi muito raro achar meninas em torneios, ainda mais quando eu era mais nova", conta. "Quando ela ganha de pessoas que ela não espera, são momentos fortes e lindos que me inspiram", finaliza.
Confira o vídeo: