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Brexit: como ele vai afetar os negócios

FolhaPress
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Bruxelas - O divórcio entre Reino Unido e União Europeia, consumado nesta sexta (1), mostra que na prática não é possível cumprir a promessa de "ficar com o bolo e comê-lo" feita pelo premiê do Reino Unido, Boris Johnson, em seu discurso nesta quarta (30).

Boris disse aos parlamentares que seu governo havia realizado "algo que o povo britânico sempre soube que poderia ser feito, mas que continuamente nos diziam que era impossível; ter nosso bolo e comê-lo". Mas, se de fato o Reino Unido evitou a catástrofe econômica de um brexit sem acordo, ficou longe de manter o bolo intacto.

A separação definitiva entre Reino Unido e União Europeia, iniciada às 20h (horário do Brasil) desta quinta (31), afeta viagens, trabalho, estudo, investimentos, comércio e muito mais. Veja abaixo alguns dos impactos nos negócios (e, aqui, os efeitos sobre cidadãos).

Brasileiros serão afetados?

Serão se tiverem negócios que exigem a circulação de bens, serviços ou funcionários entre o Reino Unido e a União Europeia. O brexit também altera regras para profissionais brasileiros com dupla cidadania no Reino Unido ou na UE.

Exportadores brasileiros podem ter alguma vantagem se os custos aduaneiros ou outras dificuldades no comércio entre os ex-parceiros tornarem seus produtos mais vantajosos (por exemplo, se trazer frango da Polônia ficasse mais caro que recebê-lo do Brasil). Mas o acordo de livre comércio, ao eliminar tarifas e cotas entre Reino Unido e União Europeia, deve reduzir bastante esses casos.

E as empresas?

A partir de 1 de janeiro de 2021, o Reino Unido deixou o mercado único e a união aduaneira da UE. Por isso, todas as importações entre os ex-parceiros estarão sujeitas a verificações e controles regulamentares de segurança, saúde e outros fins de política pública dos dois lados. Haverá algumas restrições específicas (por exemplo, salsichas e hambúrgueres crus não podem entrar na UE a menos que sejam congeladas a -18ºC). Essas barreiras de regulamentação e aduana elevam custo e o tempo de transporte e vão exigir que as empresas ajustem suas cadeias de abastecimento integradas.

Os exportadores terão que pagar tarifas?

Não. O acordo de livre comércio assinado entre as duas partes eliminou impostos sobre mercadorias (tarifas) e limites sobre a quantidade que pode ser negociada (cotas).

Por que o acordo de livre comércio é importante?

Sem este acordo, produtos como carne, leite, frango, cereais e açúcar, além de outros alimentos processados, poderiam ter enfrentado tarifas de cerca de 50% ou mais, sob as regras da Organização Mundial do Comércio. Carros seriam atingidos por tarifas de 10%, e têxteis e calçados estariam sujeitos a picos tarifários de 12% e 17%, respectivamente. O acordo também tenta reduzir custos burocráticos ao estabelecer padrões de produtos domésticos e regulamentos técnicos baseados nas mesmas referências internacionais e, portanto, compatíveis, principalmente em itens como carros, remédios, químicos, vinhos, objetos culturais e produtos orgânicos.

Como ficam os serviços financeiros?

Para analistas, haverá grande segmentação e complexidade. Empresas com sede no Reino Unido que queiram atender clientes na UE deverão abrir escritório no país europeu em questão, com acesso a mercado e regulamentação que variam de país para país. O acordo obriga ambas as partes a manter os seus mercados abertos aos operadores da outra parte que pretendam se estabelecer para fornecer serviços, desde que sigam os padrões internacionais. As partes ainda tentam chegar a um acordo, até março de 2021, sobre uma estrutura para cooperação regulatória em serviços financeiros.

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