Tribuna do Leitor

A verdadeira propriedade

Hilário Nunes da Silva, colaborador
| Tempo de leitura: 2 min

Examinando a folhinha em homenagem aos 150 anos de O Evangelho Segundo espiritismo, de Allan Kardec, lançado em 1864, e que portanto fez 150 em 2014 percebi que o capítulo 26 tem o título: "Não podeis servir a Deus e a mamon", mais precisamente no item 9, com o subtítulo: A verdadeira propriedade, que dá nome e base a este artigo.

Nós só possuímos aquilo que nos é dado levar deste mundo, do que encontramos ao chegar e deixamos ao partir usufruímos enquanto aqui permanecemos. Forçados, porém, a abandonar tudo isso com a morte não tem das suas riquezas materiais a posse real, mas, simplesmente, o desfrute.

Que é então o que nós possuímos? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, que está no espírito, não no cérebro, os conhecimentos, as qualidades morais, nossas falhas. Isso é o que trazemos e levamos conosco, E para ilustrar este artigo, conta-se que, um turista foi passear na cidade do Cairo no Egito, e viu um sábio, percebendo que ele morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.

- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista. E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também: - E onde estão os seus...? - Os meus?! Surpreendeu-se o turista. - Mas estou aqui só de passagem! - Eu também... A vida na Terra é somente uma passagem...

No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes." Concluiu o sábio, portanto o lugar que iremos quando chegarmos ao mundo dos espíritos: dependerá do que nós fizemos aqui neste mundo. Mas tenha certeza: Ninguém lhe perguntará: Quanto tinhas na Terra? Que posição ocupavas? Eras príncipe ou operário? Na realidade vão te perguntar: Que trazes contigo? Não te avaliarão os bens, nem os títulos, mas a soma das virtudes que angariou. Ora, sob esse aspecto, pode o operário ser mais rico do que o príncipe. Em vão alegará que antes de partir da Terra pagou a peso de ouro a sua entrada no outro mundo. O amor e o apego aos bens terrenos constitui um dos mais fortes obstáculos ao nosso adiantamento moral e espiritual.

Claro que é justo a satisfação que experimentamos que por meio de trabalho honrado e assíduo, ganharmos nosso dinheiro, essa satisfação, muito natural e que Deus aprova, mas tomemos cuidado com o apego que absorve todos os outros sentimentos e paralisa os impulsos do coração. Nada nos pertence na Terra, nem sequer o vosso pobre corpo: a morte o separará dele, como de todos os bens materiais. Você é depositário e não proprietário, não se iluda.

Isso inclui nossos parentes: Deus nos empresta para ajudar na nossa evolução, eles não nos pertencem, e sofrerão com seu apego quando você for para a nova morada...

Compreende um pouco agora estas proféticas palavras do Salvador: "O meu reino não é deste mundo."

 

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