O justo e merecido descanso que os familiares desejam aos seus entes queridos sepultados no Cemitério Cristo Rei, em Bauru, está muito longe do ideal. Quem visita o local tem uma sensação clara de abandono, ao observar o mato alto cobrindo vários túmulos e rente aos muros precários, coroas de flores apodrecendo, jazigos quebrados e alambrados derrubados. Na tarde desta segunda-feira (11), a reportagem se deparou ainda com crianças brincando e soltando pipa entre os corredores do cemitério. Sem ter muito o que celebrar, o Cristo Rei fará 40 anos de inauguração em agosto de 2021. A Emdurb diz que a situação é devido à equipe reduzida por conta da pandemia.
O comerciante Charles Jacques, 56 anos, conta que frequenta o Cemitério Cristo Rei há cerca de 20 anos e, em todo esse período, nunca viu uma situação de descaso e abandono como a de agora. "Visitei hoje (ontem) o túmulo do meu pai e dos meus dois irmãos e o que se encontra é de assustar. Muito triste. Quantidade enorme de mato alto, vasos quebrados e espalhados. Falta de manutenção, principalmente do meio para a parte de baixo. Precisamos questionar: o que fazem com as taxas que cobram? A culpa, entendo, é da administração passada. Não quero culpar a nova, que assumiu recentemente (11 dias), mas espero mais zelo imediato do poder público", comenta.
A taxa cobrada pela Emdurb, referida por Charles, é de R$ 390,00 por sepultamento. E não há tarifas adicionais de manutenção, segundo a empresa municipal.
RESPOSTA
Em nota, a Emdurb, responsável pela manutenção dos cemitérios municipais, comunica que, por conta da pandemia, vários funcionários estão afastados do serviço público por terem mais de 60 anos e por serem considerados do grupo de risco à Covid-19.
"Estamos com equipe reduzida, que está fazendo essa força-tarefa de capinação nos cemitérios, iniciando, nesta terça-feira (12), pelo Cemitério Cristo Rei. Será uma equipe formada por três ajudantes gerais, com roçadeiras", diz o texto enviado pela empresa municipal, que não especificou o número de servidores afastados do trabalho.
O Setor de Cemitérios, agora sob gestão do seu novo diretor, Sidnei Aparecido de Souza, é responsável por cinco unidades: Cristo Rei, Saudade, Redentor, São Benedito e São Pedro de Tibiriçá. Há, ainda, dois velórios municipais, o Liberato Tayano e o Redentor.