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'Tive a esperança de que tudo pode começar a mudar'

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto, no Brasil, os governantes ainda decidem como será feita a vacinação contra a Covid-19, alguns bauruenses que moram no Exterior já receberam as primeiras doses dos imunizantes. É o caso de Alan Quinterio, 34 anos, engenheiro que vive em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Ele já recebeu a primeira dose da vacina gratuitamente.

Enquanto morava em Bauru, onde foi professor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) durante 11 anos, Alan Quinterio aceitou uma proposta para trabalhar como professor de ensino profissionalizante (vocational trainer) na Capital emiradense. Mas ele não imaginava que, após um ano e quatro meses morando lá, enfrentaria uma pandemia que faria a rotina dele mudar bruscamente.

"Desde o começo da pandemia, o uso de máscara é obrigatório e a multa é de cerca de R$ 7,2 mil se não usarmos. Também fizeram outras adaptações na rotina para evitar o contágio. Em abril, o momento foi mais crítico, quando tivemos lockdown total. Nesse período, se saíssemos na rua entre 22h e 6h, poderíamos tomar multas altíssimas. Mas todas essas medidas fizeram com que eu me sentisse muito seguro aqui", detalha o engenheiro.

Com isso, diante de todos os cuidados necessários para evitar o contágio pelo novo coronavírus, Alan Quinterio viu nas vacinas a chance das coisas voltarem ao normal. A imunização no País começou em dezembro do ano passado, segundo a Agência de Notícias Brasil-Árabe (Anba), e estão sendo aplicadas doses da Sinopharm, produzida pelo laboratório chinês de mesmo nome, junto ao Instituto de Produtos Biológicos de Pequim, na China. Esta vacina foi aprovada em regime emergencial nos Emirados Árabes, China, Marrocos, Bahrein e no Egito.

VACINAÇÃO VOLUNTÁRIA

Por lá, a vacinação é incentivada pelo governo, além de ser gratuita e voluntária, ou seja, qualquer pessoa, independentemente da idade, condição de saúde ou profissão, pode ser imunizada - basta ser residente legal no País.

"Sempre existem filas com mais de horas de espera nas portas dos locais onde as doses estão sendo aplicadas. No dia 4 de janeiro, quando recebi a primeira dose, tive que chegar no hospital 20 minutos antes de ele abrir, às 7h, e já era o terceiro da fila. Mas, às 8h, já tinha acabado e pude ir direto para o trabalho", explica Alan Quinterio.

O engenheiro conta que, antes de ser vacinado, precisou passar por uma triagem. Após assinar alguns documentos, foi direcionado para uma sala, onde uma enfermeira mediu sua pressão e fez uma série de questionamentos. "Perguntou se eu havia apresentado algum sintoma da doença nos últimos dias, se já tive Covid-19 e se tinha alguma dúvida sobre a vacina e dos riscos, por ser de uso emergencial. Respondi que não para todas as perguntas e, como já estava decidido, assinei o termo de consentimento", lembra.

Logo em seguida, Quinterio ficou em observação por 10 minutos, até que a enfermeira mediu sua pressão mais uma vez, que estava normal. Depois, recebeu uma mensagem de texto em seu telefone informando que a segunda dose seria aplicada em 25 de janeiro, e foi liberado.

"A sensação de ser vacinado foi ótima. Tive naquele momento a esperança de que tudo pode começar a mudar. Acredito na ciência e sei que eles estão fazendo o melhor trabalho possível para salvar vidas", relata.

ROTINA

Mesmo com todas as turbulências provocadas pela pandemia, o bauruense mantém a rotina de compartilhar seu dia a dia junto a sua esposa Lívia na cidade emiradense no Instagram, que é @emirados_365dias.

 

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