A velha guarda do samba pede licença para ecoar suas histórias por meio do projeto "Nos trilhos do Samba Paulista" que, ao mapear os caminhos trilhados pela ferrovia - começando pela cidade de Bauru -, pretende apresentar um mini documentário, gratuito na Internet, para que todos tenham acesso às histórias e memórias do samba paulista.
Preservado principalmente no âmbito familiar, todo esse conhecimento será narrado diretamente por seus agentes e protagonistas. "O samba é patrimônio cultural imaterial. Então, a metodologia de resgate se dá através dos detentores de saberes. Neste caso, com conversas e entrevistas com as famílias para que contem suas experiências de como o samba se manteve como elemento cultural tradicional", afirma Kelly Cristina Magalhães, sambista, coordenadora de pesquisa do projeto e professora da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp de Bauru. "Assim, faremos registros em um mini documentário que será disponibilizado gratuitamente na internet, para que todos tenham acesso a essas histórias", completa.
Essa ação é um desdobramento do projeto "Samba na Cidade" (vinculado ao Núcleo Negro para Pesquisa e Extensão Universitária - Nupe) da Unesp Bauru, USP São Carlos, em parceria com o Coletivo Samba e a Associação dos Sambistas, Terreiros e Comunidades de Samba do Estado de São Paulo (Astec).
MAPEAMENTO
A ideia é reconstruir as histórias e dar voz àqueles que fizeram do samba um instrumento de luta e resistência nas ruas, nos clubes ou nos quintais, em encontros regados a batuques, músicas e melodias, onde homens e mulheres expressavam seus anseios, angustias e alegrias. "Por meio dessa pesquisa, conseguiremos mapear essas famílias e construir a biografia histórica dessa cultura como um todo, não somente na música, mas nos costumes, nas relações, nas comidas e no jeito de falar. A partir disso, vários recortes de pesquisa são possíveis", diz Kelly.
O mapeamento ainda busca registrar os lugares e territorialidades das manifestações e celebrações da prática do samba na região de estudo, começando pela cidade de Bauru. O reconhecimento e mapeamento das famílias participantes do projeto é a base para a documentação que dará suporte à escolha das famílias integrantes que serão registradas nos mini documentários. "Famílias como a do Quintal do Brás e de José Antônio Cosmo, de Tibiriçá, já estão pré-selecionadas para o projeto", afirma.
'TUDO OU NADA'
Este projeto foi selecionado no âmbito do "Edital Matchfunding BNDES ", que estimula ações de legado para o patrimônio cultural brasileiro. Os organizadores estão contando com a comunidade para arrecadar fundos para realizar o projeto. Ainda, para cada um real arrecadado na campanha, o BNDES entra com mais dois reais, triplicando os recursos até atingir a primeira meta, de R$ 165.000,00, até 25 de fevereiro. "Precisamos alcançar o montante de R$ 55 mil para que, com o apoio do BNDES, alcancemos essa nossa meta", explica a coordenadora.
Mas a regra é "tudo ou nada". Se a meta não for atingida, o valor arrecadado é devolvido aos doadores e o projeto não acontece. "Foram criadas várias recompensas para estimular a colaboração como CDs, camisetas, xícaras, ecobags entre outros. As doações vão de R$ 20, R$ 50, R$ 80 até valores superiores. que podem até proporcionar uma roda de samba em sua casa", finaliza.
SERVIÇO
Para saber mais sobre as recompensas e colaborar com o projeto "Nos trilhos do Samba Paulista", entre no site da campanha: https://benfeitoria.com/nostrilhosdosamba?ref=benfeitoria-pesquisa-projetos Mais informações pelo: www.instagram.com/nostrilhosdosamba e no canal oficial do projeto: encurtador.com.br/pAI58