Brasília - Alvo de pressão para aprovar a vacina Sputnik contra a Covid, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou nesta terça-feira (2) que a divulgação de resultados preliminares que apontam 91,6% de eficácia para o imunizante representa "uma boa notícia".
A vacina Sputnik V da Rússia mostrou altos níveis de eficácia e segurança em um estudo revisado por pares divulgado nesta terça-feira (2). Segundo a pesquisa publicada na revista médica Lancet, a aplicação de duas doses do imunizante se provou 91,6% eficaz na prevenção do coronavírus. Não houve efeitos colaterais graves.
A agência brasileira, porém, reforça que ainda precisa de mais dados para análise da vacina no Brasil.
IMPASSE
Há um impasse: uma diferença nas condições da vacina analisada nos estudos - na forma líquida e armazenada, a 18ºC - com o modelo que pretende ser produzido e comercializado no Brasil, entre 2ºC e 8ºC.
Atualmente, o laboratório União Química tem uma parceria com o Fundo de Investimento Direto da Rússia para produzir 10 milhões de doses da vacina no Brasil.
A perspectiva de produção nacional tem aumentado a pressão de dirigentes da empresa e governadores junto à Anvisa para que haja aval ao uso emergencial do imunizante.
Regras da Anvisa, no entanto, apontam a necessidade de estudos clínicos no Brasil para que isso possa ocorrer.
PENDÊNCIA
Um pedido para aval a esses estudos chegou a ser feito à agência no fim de dezembro, mas não avançou por falta de dados.
Em meio a esse processo, a União Química protocolou documentos para uso emergencial da vacina em 15 de janeiro. A Anvisa, porém, devolveu o pedido à empresa um dia depois devido à ausência de estudos clínicos de fase 3 no país, além de outros dados, como a comprovação de boas práticas de fabricação, apesar de uma equipe brasileira já ter visitado a linha de produção da vacina.
Em nota divulgada nesta terça, a agência frisa, mais uma vez, que esses dados que precisam ser apresentados. Por outro lado, não diz quais já foram entregues pela empresa.