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2020 tem saldo positivo de empregos, mas indústria e comércio têm perdas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Em meio a todas as dificuldades trazidas pela pandemia, Bauru conseguiu encerrar 2020 com saldo positivo de emprego com carteira assinada. O segmento de serviços e a construção civil foram os principais responsáveis pelo resultado, enquanto comércio e indústria registraram perda de vagas. O agronegócios, em menor escala, também teve redução.

No desempenho global, a cidade contabilizou a geração de 1.679 vagas de emprego no ano passado, considerando a diferença entre contratações e demissões, tendo o melhor saldo sido contabilizado em novembro, quando 1.605 postos de trabalho foram criados. Depois de seis meses consecutivos de resultados positivos, Bauru voltou a registrar saldo negativo em dezembro, com 460 vagas extintas, nível bem menos crítico do que o experimentado no início da pandemia.

Em abril, por exemplo, foram mais de 3 mil postos perdidos, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia. Ainda de acordo com o cadastro federal, o Estado de São Paulo perdeu 1.159 vagas em 2020.

SERVIÇOS

Em Bauru, o setor de serviços foi o responsável por gerar o maior número de postos de trabalho entre janeiro e dezembro, com 939 vagas, seguido pela construção civil, com 919. Já a indústria foi responsável pela extinção de 146 postos no ano passado e o comércio, por fechar outros 24. A agropecuária também contabilizou perda de vagas no município: 9 nestes 12 meses.

"O comércio foi um dos setores que mais sofreu. Mesmo com os planos de redução de salários e jornadas, para muitas empresas pequenas, a situação ficou insustentável. E, com o comércio parado, a indústria precisou reduzir o ritmo de produção. Depois, quando houve retomada de demanda, foi um setor enfrentou dificuldade para aquisição de matérias-primas", analisa o economista Mauro Gallo.

Enquanto, no Estado, o setor de serviços foi o que mais extinguiu postos de trabalho, em Bauru foi justamente o que mais criou vagas. Uma das explicações, conforme Gallo, é o fato de a cidade concentrar empresas de recuperação de crédito, que ampliaram a oferta de empregos. "É um ramo que, de forma geral, destoou dos demais".

POR FAIXA ETÁRIA

O que reforça esta análise é o fato de a grande massa dos que foram empregados no último ano possuir entre 18 a 24 anos - foram 2.691 vagas criadas a este público, sendo a maioria destes trabalhadores com ensino médio completo. Já na faixa acima de 40 anos, o saldo foi negativo, com 1.771 vagas encerradas.

"Antes da pandemia, pessoas acima de 40, 45 anos já encontravam certa dificuldade para recolocação no mercado. Depois, a situação se agravou, porque são trabalhadores que recebem salários maiores", comenta.

Ainda de acordo com o economista, as perspectivas para 2021 não são boas, considerando que o contágio de Covid-19 ainda segue alto em Bauru e que não há, até o momento, vacinas suficientes a todos. "Muitos ainda vão insistir em comemorar o Carnaval em festas privadas. Por conta do comportamento da população, que não para de fazer aglomerações, o primeiro semestre ainda será muito difícil para a economia", completa.

 

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