Articulistas

O silêncio mata


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"Esse silêncio todo me atordoa, atordoado eu permaneço atento, na arquibancada pra a qualquer momento, ver emergir o monstro da lagoa..." (Cálice - música composta em 1973 por Gilberto Gil e Chico Buarque de Hollanda).

A sociedade não deve se calar ante atitudes oportunistas e populistas que se utilizam da liberdade democrática para desfigurar regras contra o regime. A democracia não deve ser silente. A atitude do governo federal contribui para desestabilizar e atacar as instituições que sustentam o país, em clara tentativa para destruir essa democracia, conquistada após anos de luta, muito sofrimento e várias mortes.

Calar-se diante de tudo o que vem acontecendo no Brasil, com um governante que anseia por uma limpeza étnica, é render-se às pressões ditatoriais por medo ou por inércia. No mundo todo a democracia está ameaçada, e vem sendo perseguida por grandes transformações advindas de uma mudança global, que provoca aniquilamentos antes de construções.

O egoísmo e o egocentrismo fazem o indivíduo se calar, e o silêncio mata a democracia. O silêncio mata. E cala boca já morreu! "Cada palavra tem a sua consequência, cada silêncio, também" (Jean Paul Sartre)

Quem irrompe o silêncio age no coletivo, e este não é o momento de se calar. É hora de se dar as mãos, se juntar contra essa tirania, pois o silêncio pode ser o mal que leva à decadência da liberdade. "Perdi muito tempo até aprender que não se guardam as palavras, ou você as fala, as escreve, ou elas te sufocam" (Clarice Lispector).

Como alertou Martin Luther King: "O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons."

Os autores são Ana Regina Pasquarelli, Beatriz Sanchez, Cláudia Eugênia, Dude Escobar, Evandro Joaquim, Leila Venturini, Marise Suzuki, Ricardo Maringoni e Wania Côsso, amigas e amigos de vida toda, que se reencontraram em feliz comunhão de ideais, e que são pessoas que se não calam.

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