Cultura

A viola caipira de Bauru e região


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A viola caipira tem sua origem nas violas portuguesas - datadas de antes do século 18 e trazidas ao Brasil por colonos lusitanos de diversas regiões - e de uma descendência remota dos instrumentos árabes como o alaúde - do século 15. Por aqui, também conhecido como viola sertaneja ou viola cabocla, o instrumento é muito popular no Interior do país, em especial na região Centro-Sudeste, e tido como um dos símbolos da música popular brasileira, principalmente da sertaneja de raiz.

Do Brasil sertanejo que canta e dança, seja em pracinhas e coretos do Interior, shows nas Capitais e até em salas de concerto, a viola é um movimento cultural. Ela está presente da música sertaneja caipira à sertaneja universitária, valorizando a cultura de quem mora no campo, em toda a sua diversidade. Neste mundo rural onde a tradição oral se faz mais presente que a escrita, esta música tem por característica o tempo de escutar o outro falar. Uma cultura que, a cada ano, ganha mais adeptos, seja de músicos que debulham a viola ou mesmo de público.

E a convite do Selo Sesc, o professor, músico, compositor e um dos principais pesquisadores de cultura popular e da viola caipira no País, Ivan Vilela, aceitou o desafio de criar um mapa etnográfico do uso do instrumento em São Paulo, com a seleção de diversos tocadores e compositores de música de viola residente no estado. A iniciativa deu origem ao Viola Paulista (Selo Sesc), projeto iniciado em 2018 com a sua primeira edição, que apresentou ao público as múltiplas sonoridades deste instrumento e congregou, em faixas instrumentais e cantadas, artistas e grupos muito diversos, mas que têm em comum a paixão pela história e pelo som da viola.

Agora, a gravadora do Sesc São Paulo lança a segunda coletânea de Viola Paulista com a participação de 20 violeiros e violeiras que já têm uma carreira consolidada junto ao público e à cena musical. E no mapeamento de Vilela, os músicos selecionados abrangem todo o território do Estado. São tocadores das regiões de Avaré, Bauru, Campinas, Piracicaba, São José do Rio Preto e Sorocaba.

Em texto de apresentação do álbum, Ivan Vilela afirma que esses "artistas de diversos segmentos musicais nos deixam claro que a força de elementos da cultura popular se renovam nas mãos contemporâneas das violeiras e violeiros aqui presentes, certificando o caráter vivo e dinâmico das nossas tradições, uma marca da cultura do povo do Brasil".

O lançamento do Viola Paulista - Volume II está dividido em cinco EPs. Cada um deles dá voz a diferentes sotaques do instrumento no Estado. O primeiro, abrangendo as regiões de Bauru e São Carlos, chega às principais plataformas de streaming nesta quarta-feira (17), incluindo na plataforma Sesc Digital, que oferece o conteúdo de forma gratuita e sem necessidade de cadastro. 

Serviço

Para ouvir acesse https://sesc.digital/colecao/viola-paulista2

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