Qual é a proposta da oposição para governar o Brasil em substituição a Bolsonaro? Não existe, simplesmente. Nosso sistema político tem como princípio fundamental, além da vaidade patológica que o poder suscita, o "se dar bem na vida", síntese para enriquecer rápida e impunemente, cínico mandamento de Gerson arrematado pela insaciável honestidade de Lula. Da educação à saúde e à segurança, a tragédia nacional tem dimensão: o tamanho e a depravação orgânica do Estado. Como consertar?
Com poder constituinte que imponha igualdade legal, elimine, entre tantas iniquidades, foro privilegiado, salários debochados com penduricalhos pantagruélicos, assessorias das iscas para via rachadinhas, auxílios e vantagens da burocracia opulenta da Esplanada dos Ministérios - onde resplandece a volúpia financeira da toga: R$ 100,2 bilhões gastos com o Poder Judiciário, ano passado, equivalentes a 1,5% do PIB, carro e gasolina pagos pelo povo para os arrogantes e deslumbrados do poder.
A farsa constitucional de que todo poder emana do povo e em nome deste será exercido ergue-se sinistra no Amazonas: em 132 anos de República (1889) e 33 anos de Constituição (1988) apelidada Cidadã, nenhuma cidade amazonense, à exceção de Manaus, a capital, tem hospital com UTI. Quantos governadores passaram pelo Palácio do Rio Negro e nada, cruelmente nada, fizeram pela saúde do homem amazonense?
Quantos povos gostariam de ter um Amazonas e suas imensuráveis riquezas, biodiversidade, potencial hídrico e a internacionalmente cobiçada floresta? O Amazonas vive um extermínio republicano. Por menos, os paraenses fizeram a Cabanagem, em 1835, " A Miserável Revolução das Classes Infames", rotula irretocável livro de instigante leitura. Constituinte serena e severa é o remédio para os males do estado democrático de direito à brasileira.
O autor é jornalista, escritor, poeta.